Incêndio no Parque Nacional da Serra dos Órgãos ameaça espécie de cravina do campo
Incêndio ameaça cravina do campo na Serra dos Órgãos

Uma das espécies mais emblemáticas da Serra dos Órgãos, a cravina do campo Prepusa hookeriana, está entre as plantas atingidas pelo incêndio no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso), localizado na Região Serrana do Rio de Janeiro. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), diversos exemplares foram destruídos pelas chamas.

Características e risco de extinção

Endêmica do estado do Rio de Janeiro, a cravina do campo é encontrada exclusivamente em áreas de altitude elevada. A espécie é classificada como “em perigo de extinção” em avaliações da flora brasileira realizadas pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), vinculado ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Ela ocorre entre 850 e 2.700 metros de altitude e depende de condições ambientais específicas, como solos rasos, alta incidência de radiação solar e temperaturas mais baixas. Essa sensibilidade a alterações no ambiente, como incêndios, torna a espécie ainda mais vulnerável.

O incêndio

O fogo teve início no domingo (19) e foi controlado após três dias de atuação de equipes em áreas de difícil acesso na parte alta do parque. Cerca de 330 hectares foram atingidos — área equivalente a aproximadamente 330 campos de futebol. Esse tipo de vegetação abriga espécies que só existem nesse ambiente, ampliando o impacto ambiental provocado pelo incêndio.

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As chamas se espalharam por regiões como o Morro do Açu, o Pico da Bandeira e a área conhecida como Isabeloca, próxima à travessia Petrópolis-Teresópolis. Um dos focos mais intensos foi registrado no Chapadão, nas proximidades da formação rochosa Castelos do Açu. O Morro do Açu, um dos pontos atingidos, ultrapassa os 2 mil metros de altitude, o que aumentou a dificuldade de acesso das equipes por causa do terreno íngreme e das trilhas longas.

Combate ao fogo

O combate mobilizou 44 profissionais, entre servidores do ICMBio, brigadistas do Prevfogo/Ibama, militares do Corpo de Bombeiros e voluntários. As equipes chegaram a pernoitar na parte alta da serra para impedir o avanço das chamas. Uma aeronave dos bombeiros também foi usada no transporte de equipamentos e no apoio logístico da operação. O incêndio atingiu ainda trechos da chamada Trilha da Travessia, incluindo áreas do Chapadão e da Isabeloca.

Causas sob investigação

As causas do incêndio ainda são investigadas, mas há indícios de que o fogo tenha sido provocado pela queda de um balão. A destruição de parte da vegetação nativa, incluindo a cravina do campo, levanta preocupações sobre a recuperação da área e a conservação da biodiversidade local.

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