Justiça Federal ordena demolição de ranchos de pesca em área de preservação em Florianópolis
Demolição de ranchos em Naufragados por decisão judicial

Justiça Federal determina demolição de estruturas em área preservada de Florianópolis

Nesta quarta-feira (22), a Praia de Naufragados, localizada no sul da Ilha de Santa Catarina, foi palco de uma ação judicial que resultou na demolição de diversas construções em alvenaria. A decisão da Justiça Federal pôs fim a um impasse que se arrastava há mais de 25 anos, envolvendo ranchos de pesca, um bar, um restaurante e outras estruturas situadas em um dos pontos mais isolados e paradisíacos da região.

Detalhes da operação e contexto ambiental

As demolições foram executadas pela Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram), conforme determinação judicial. As estruturas, pertencentes aos pescadores Andrino Santino Borges e Flávio Argino Martins, estavam localizadas em uma Área de Preservação Permanente (APP) e em terreno de Marinha, o que motivou a intervenção legal. Imagens divulgadas por moradores mostram agentes ambientais realizando o trabalho de demolição, com o município afirmando que apenas cumpriu a ordem judicial.

A Praia de Naufragados é um destino turístico remoto, acessível apenas por trilha ou pelo mar, e abriga um farol e um forte históricos. A ação gerou debates sobre a preservação ambiental versus os direitos dos moradores tradicionais, com a defesa dos pescadores questionando a inconsistência na aplicação das leis, já que outros ranchos em situações similares não foram demolidos.

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Histórico legal e impactos sociais

O caso do Bar e Restaurante do Andrino, em operação há mais de 60 anos, tem uma sentença de demolição datada de novembro de 2006. A Justiça determinou não apenas a derrubada das estruturas, mas também a desocupação do imóvel, afetando o pescador, seu filho e nora. A Floram, em processos anteriores, solicitou várias prorrogações para a demolição, estimando um custo de R$ 613 mil para a execução dos serviços.

O advogado Ernesto São Thiago, representante de Flávio Argino Martins, criticou a decisão, alegando que ela cria insegurança jurídica e afeta a subsistência dos pescadores. Ele orientou seu cliente a solicitar um rancho provisório para participar da safra da tainha, que começa em maio, destacando o impacto econômico da demolição na comunidade local.

Desdobramentos e questões pendentes

A reportagem buscou informações adicionais sobre o número exato de estruturas demolidas e os planos para a remoção dos entulhos, mas não obteve resposta da prefeitura até o fechamento desta edição. A situação evidencia os desafios na conciliação entre desenvolvimento, preservação ambiental e direitos históricos, com processos que se estendem por décadas.

Este caso ressalta a complexidade das intervenções em áreas sensíveis, onde a legislação ambiental e as tradições locais frequentemente entram em conflito, exigindo soluções equilibradas que considerem tanto a proteção do meio ambiente quanto o bem-estar das comunidades estabelecidas.

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