O Sistema Cantareira concluiu a estação de verão e deu início ao outono nesta sexta-feira, 20 de março, operando com apenas 43,4% de sua capacidade total. Este é o pior patamar registrado para o fim do verão nos últimos dez anos, conforme dados divulgados pela Sabesp, a companhia de saneamento básico do estado de São Paulo.
Nível preocupante em período crítico
Apesar de o volume atual ainda estar acima de cenários históricos críticos, como em 2016, quando o sistema operava com 34% na mesma data, o índice preocupa especialistas em recursos hídricos. O verão é tradicionalmente o período de maior reposição dos reservatórios, o que torna a situação ainda mais alarmante.
De acordo com a Sabesp, o sistema opera em março na Faixa 3, classificada como de alerta. Nessa faixa, o volume útil acumulado fica entre 30% e 40%. Acima disso, estão as faixas de normalidade e atenção; abaixo, os níveis entram em restrição e, no pior cenário, em estado especial.
Composição e sinais visíveis
O Sistema Cantareira é composto por seis represas principais: Jaguari, Jacareí, Atibainha, Cachoeira, Paiva Castro e Águas Claras. Os três primeiros reservatórios estão localizados no Vale do Paraíba e na região bragantina.
Em janeiro deste ano, o Cantareira chegou a operar por alguns dias com volume abaixo de 20%, o que corresponde à Faixa 5, a mais crítica. No entanto, como o índice voltou a subir até o final do mês, o sistema não operou oficialmente nesse nível.
Em Joanópolis, na região do reservatório, a paisagem já exibe sinais claros da situação. Trechos de margem mais expostos e estruturas que antes ficavam submersas voltaram a aparecer, evidenciando a redução do volume de água.
Preocupação de especialistas
A situação preocupa pesquisadores e especialistas em recursos hídricos. “Se a gente olhar historicamente, só terminamos o verão com níveis tão baixos durante a crise hídrica, entre 2014 e 2015. Não estamos em uma situação muito confortável ainda”, afirmou o pesquisador e doutor em Ecologia Alexandre Uezu.
Segundo a meteorologista Nadja Marinho, a chegada do outono deve diminuir ainda mais o volume de chuva nos mananciais. “Durante o outono, entramos no período seco, com redução de chuvas. Até há passagem de frentes frias pelo Estado de São Paulo, mas geralmente elas trazem mais chuva para as faixas litorâneas, não chegando tanto no interior e principalmente nas áreas de mananciais”, explicou.
Resposta da Sabesp
Procurada para comentar a situação, a Sabesp foi acionada, mas não havia confirmado a participação de um porta-voz até a última atualização desta reportagem.
O Sistema Cantareira é crucial para o abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo, e seu baixo nível acende um alerta significativo para a gestão hídrica no estado.



