Invasão de aguapés sufoca rio e ameaça economia local em Marinópolis (SP)
O que antes era um cenário de lazer, prática esportiva e fonte de renda para moradores se transformou em motivo de grande preocupação em Marinópolis, no interior de São Paulo. Um trecho do Rio São José dos Dourados está completamente tomado por aguapés, plantas aquáticas que se espalharam de forma acelerada e passaram a cobrir grande parte da superfície da água, formando um denso tapete verde.
Há aproximadamente um ano, o local era utilizado para atividades como passeios de caiaque e outras práticas recreativas. Atualmente, o excesso de vegetação impede completamente a navegação, alterando drasticamente a paisagem e a funcionalidade do rio.
Impactos diretos na subsistência dos pescadores
A mudança também afeta de maneira profunda quem depende da pesca para sobreviver. Morador há 20 anos na cidade, o pescador Antônio Rubio relata que já chegou a retirar cerca de 150 quilos de peixes por mês do rio. Hoje, precisa percorrer longas distâncias para garantir o sustento da família.
"Tenho que sair daqui e dar a volta. Ando em média 100, 120 quilômetros para pescar. Aí, tenho gasto grande com carro. Depois, com a embarcação. Fica difícil a pescaria para mim", lamenta Antônio, exemplificando o aumento dos custos operacionais e a perda de produtividade.
Causas ambientais e consequências ecológicas
Os aguapés são plantas comuns em rios e áreas alagadas. Em quantidade equilibrada, elas desempenham um papel benéfico, ajudando a filtrar a água. No entanto, quando se proliferam de forma desordenada, podem indicar um sério desequilíbrio ambiental.
Segundo a bióloga Luciola Lannes, o crescimento acelerado pode estar relacionado ao aumento da carga de nutrientes na água, como esgoto doméstico ou fertilizantes agrícolas. Ainda não é possível afirmar a origem exata sem estudos mais detalhados, mas a hipótese da poluição é forte.
Outro problema grave é o ciclo de vida da planta: quando morrem, os aguapés se depositam no fundo do rio e entram em decomposição. Esse processo consome oxigênio da água, prejudicando organismos aquáticos, especialmente os peixes, o que pode levar a uma redução ainda maior da fauna local.
Reflexos econômicos e incertezas para o turismo
Além dos impactos ambientais, a situação preocupa profundamente o setor turístico. Marinópolis depende significativamente do movimento gerado pelo rio, especialmente para atividades de pesca esportiva e lazer aquático.
Com a dificuldade extrema de navegação e a possível redução drástica da população de peixes, comerciantes e trabalhadores do setor temem prejuízos substanciais nos próximos meses. A pescadora Vilma Cortes expressa sua tristeza: "Esse rio é rico de peixe, é muito bom. É triste ver isso. Devagar a gente vê que nossos rios estão enfrentando problemas. É preciso tomar atitudes".
Fiscalização e ausência de soluções imediatas
Em nota, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que realiza monitoramento regular da qualidade da água e que já há registro da proliferação de plantas aquáticas na bacia do rio. O órgão afirmou ainda que mantém fiscalização sobre possíveis fontes de poluição na região.
Entretanto, até o momento, não há definição de medidas concretas para a retirada das plantas. Os moradores aguardam providências das autoridades e nutrem a esperança de que o próprio rio consiga recuperar seu equilíbrio natural, embora a situação atual exija intervenção urgente para evitar danos permanentes ao ecossistema e à economia local.



