Acre mantém baixo índice de queimadas no início de 2026
O estado do Acre registrou apenas quatro focos de queimadas durante o primeiro trimestre de 2026, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número, considerado extremamente baixo pelos especialistas, segue a tendência de redução que já havia sido observada no mesmo período do ano anterior, quando as condições climáticas também favoreceram a diminuição dos registros.
Distribuição mensal dos focos
De acordo com o painel de monitoramento do Inpe, os quatro focos detectados no Acre entre janeiro e março de 2026 foram distribuídos da seguinte forma: dois ocorreram em janeiro, outros dois em fevereiro, e nenhum foi registrado durante o mês de março. Esse resultado se dá em meio ao chamado inverno amazônico, período caracterizado por chuvas intensas e cheias de rios e igarapés que naturalmente dificultam a propagação de incêndios.
Em janeiro, os dois focos registrados no estado ocorreram nos municípios de Rio Branco e Epitaciolândia. Quando comparado com outros estados da região Norte, o Acre apresentou números significativamente menores, enquanto o Pará liderou o ranking regional com impressionantes 1.042 ocorrências no mesmo período.
Já em fevereiro, os registros acreanos se concentraram em Rodrigues Alves e Tarauacá. Neste mês, entre os estados nortistas, Roraima apresentou o maior número de focos, totalizando 493 ocorrências. O mês de março se destacou pela ausência completa de registros de queimadas em território acreano, enquanto Roraima voltou a liderar o ranking regional com 602 ocorrências.
Contexto histórico e comparação com 2025
Os dados atuais reforçam a tendência positiva observada em 2025, quando o Acre registrou redução de quase 100% nas queimadas durante o primeiro quadrimestre. Naquele ano, o estado fechou com 2.184 focos, representando o menor número em mais de duas décadas e uma queda expressiva de 75% em relação a 2024, quando foram registrados mais de 8 mil focos.
É importante destacar que, apesar do resultado final baixo em 2025, o início do ano chamou atenção dos especialistas. Somente em janeiro daquele ano, foram registrados 43 focos, o maior número já observado para o mês desde o início da série histórica do Inpe em 1998.
A partir de fevereiro de 2025, com o avanço das chuvas em diferentes regiões do estado, os registros começaram a cair significativamente. Março daquele ano também não apresentou focos detectados, e os meses seguintes do primeiro semestre mantiveram números reduzidos, reflexo direto das condições climáticas típicas do inverno amazônico, marcadas por chuvas frequentes e solo úmido que dificultam a propagação do fogo.
Influência climática e situação atual
A redução nos focos de calor ocorre em um contexto de aumento significativo das chuvas no Acre. Em Rio Branco, por exemplo, março de 2026 terminou com 366,8 milímetros de volume acumulado, cerca de 33% acima da média histórica para o mês. Esse volume elevado contrasta com fevereiro, quando foram registrados 114,4 mm de chuva, equivalente a 38,1% dos 300,1 mm esperados.
Além das condições climáticas favoráveis, o estado também enfrenta cheias em vários municípios. Um decreto publicado pelo governo no último domingo (5) reconheceu situação de emergência em cidades como Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá e Plácido de Castro, após a elevação dos rios provocada pelas chuvas intensas.
Perspectivas para o restante do ano
Historicamente, o período com maior incidência de queimadas no Acre ocorre a partir do segundo semestre, durante o verão amazônico, quando há redução das chuvas e aumento das práticas de limpeza de áreas com uso do fogo. Considerando todo o bioma amazônico, que abrange estados como Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Amapá, além de partes de Mato Grosso e Maranhão, foram registrados 9.376 km² de área queimada até março de 2026.
A tendência, segundo o histórico do Inpe, é de aumento gradual dos focos a partir dos próximos meses, com o início do período de estiagem na região. Os especialistas alertam que, apesar dos números positivos no primeiro trimestre, é necessário manter o monitoramento e as políticas de prevenção para evitar que os índices voltem a subir significativamente durante a temporada seca.



