Uma cena preocupante e de forte odor tomou conta da orla de Mongaguá, no litoral de São Paulo, nesta quinta-feira (15). Centenas de peixes de pequeno porte foram encontrados mortos e espalhados pela faixa de areia, gerando desconforto entre moradores e frequentadores da praia.
Cena de impacto na areia
O registro foi feito por volta das 7h30, na altura do bairro Agenor de Campos, próximo à divisa com Itanhaém. As imagens mostram uma grande quantidade de animais marinhos sem vida, todos de pequeno porte, sobre a areia. A presença dos peixes mortos foi confirmada por agentes da prefeitura, que foram acionados para avaliar a situação.
Moradores relataram ao g1 que um forte cheiro de peixe impregnava a orla, desde a região do Agenor de Campos até a Plataforma de Pesca. O mau cheiro, consequência direta da decomposição dos animais, tornou o ambiente desagradável.
Hipótese do descarte de pesca
A administração municipal de Mongaguá informou que a situação provavelmente está ligada a atividades de pesca. A explicação mais plausível, segundo a prefeitura, é o descarte de exemplares menores após a retirada das redes no mar.
A hipótese foi reforçada pelo biólogo marinho William Rodriguez Schepis. Ele explicou ao g1 que os peixes provavelmente foram capturados acidentalmente durante a pesca de arrasto de camarões. Como não são o alvo principal e para não ocupar espaço nas embarcações nem se misturar ao camarão, essa fauna acompanhante é descartada.
"Para não ocupar espaço na embarcação e não misturar com o camarão, eles fazem o descarte dessa fauna", detalhou o biólogo. Ele ressaltou que não é possível identificar a espécie exata apenas pelas imagens.
Limpeza e possíveis investigações
Para conter o problema e garantir a limpeza do local, a prefeitura mobilizou um trator para remover os peixes mortos da faixa de areia. A Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente se colocou à disposição para acompanhar o caso.
O g1 entrou em contato com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e com a Polícia Militar Ambiental para saber se o incidente será investigado e se pode haver punição para os responsáveis pelo descarte. No entanto, até a última atualização desta reportagem, não houve retorno das instituições.
Casos como este colocam em evidência os impactos ambientais de algumas práticas de pesca, gerando poluição visual e olfativa nas praias e afetando o ecossistema marinho.