Inmet mantém alertas de chuvas intensas para todas as cidades de Roraima
Com água na altura do joelho e ruas intrafegáveis, moradores de Boa Vista tiveram a rotina completamente afetada pela forte chuva que atingiu a capital na manhã desta quarta-feira, 22 de maio. A situação crítica levou a Defesa Civil Municipal a divulgar dados alarmantes: nas últimas seis horas, os pluviômetros do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registraram uma média impressionante de 46 milímetros de precipitação.
Moradores enfrentam prejuízos e isolamento
A empreendedora Jaqueline Diniz, residente da rua Manaus, no bairro Nova Cidade, na zona Oeste da capital, relatou à Rede Amazônica que precisou tomar medidas drásticas para proteger seus pertences. "Eu acordei hoje às 4h30 da manhã, como sempre acordo para ir à academia, e a água ainda estava bem leve. Quando eu voltei, às 6h, a minha moto ficou lá em cima, porque não dava para entrar na rua. Em casa, a água já estava no joelho", descreveu Jaqueline, que ainda precisou pendurar os móveis da casa para evitar danos maiores.
Ela destacou que essa situação se repete anualmente durante o período de inverno. "É sempre a mesma novela. As crianças faltam, vem o medo de doença, porque o lixo da rua vem para cá", lamentou a moradora, evidenciando os impactos na saúde pública e na educação.
Falta de infraestrutura agrava situação
Monalisa Leite, também moradora da rua Manaus há dez anos, relatou que a ausência de drenagem adequada e de asfalto no bairro transforma todas as ruas em verdadeiros lamaçais durante as chuvas. "A gente fica ilhado, isolado. Falta poucos centímetros para a água entrar em casa. Ficamos impedidos de sair, as crianças não conseguem ir à escola, e até serviços essenciais são afetados. Quando a gente precisa sair para resolver alguma coisa, fica impedido", explicou Monalisa, destacando o completo isolamento enfrentado pela comunidade.
Já Francisco Souza, morador da rua Imperatriz, não conseguiu comparecer ao trabalho devido aos alagamentos. O autônomo atribuiu o agravamento da situação a uma obra realizada no local. "A água escoava não tão rapidamente, mas passavam-se alguns minutos e a água saía totalmente daqui. Devido a essa construção, esse bueiro está tampado, e a água fica aqui agora. E nem começou o inverno por completo", alertou Francisco, prevendo cenários ainda mais críticos nos próximos meses.
Alertas meteorológicos em vigor
Nesta quarta-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve dois alertas de chuvas intensas para todas as cidades de Roraima. Os avisos, nas cores amarelo e laranja, permanecem válidos até as 23h59 de quinta-feira, 23 de maio.
O alerta amarelo, que indica perigo potencial, prevê:
- Chuvas entre 20 e 30 milímetros por hora
- Ou 50 milímetros por dia
- Ventos de até 60 km/h
Já o alerta laranja, mais severo, prevê:
- Chuvas de 30 a 60 milímetros por hora
- Ou de 50 a 100 milímetros por dia
- Ventos que podem chegar a 100 km/h
Em ambos os cenários, as autoridades meteorológicas alertam para riscos significativos, incluindo:
- Falta de energia elétrica
- Queda de galhos de árvores
- Alagamentos em áreas urbanas e rurais
- Descargas elétricas durante as tempestades
A combinação de chuvas torrenciais com ventos fortes cria um cenário de múltiplos perigos para a população roraimense, exigindo atenção redobrada das autoridades e dos moradores durante este período crítico.



