A população do Rio de Janeiro enfrenta uma das maiores provações do verão: uma onda de calor intensa que já dura semanas. O desconforto térmico altera rotinas, prejudica o sono e torna o simples ato de ficar dentro de casa um desafio. O problema vai além do suor, com relatos crescentes de interrupções no fornecimento de água e energia elétrica, agravando a crise.
Calor recorde e noites insuportáveis
O estado do Rio concentrou nove das dez cidades mais quentes do país na segunda-feira, 12 de fevereiro. Na capital, os termômetros marcaram quase 36°C, e as temperaturas permaneceram elevadas também na terça-feira, dia 13. Esse calor histórico tem consequências diretas na vida das pessoas.
Marcello Barreto, morador do Méier, viveu na pele o drama da falta de energia em uma das noites mais quentes. "Estava muito calor dentro de casa, eu precisava dormir porque tinha que sair cedo, única forma foi forrar um tapete no terraço e dormir", conta o operador de áudio. Ele revela que, para tentar se refrescar, se molhava com uma mangueira durante a madrugada. O problema afetou pelo menos 12 bairros na noite de segunda-feira, considerada a mais quente do ano até então.
Falta d'água agrava crise em múltiplas regiões
Enquanto alguns sofrem com a luz que some, outros enfrentam a secura das torneiras. Em Santa Cruz, Zona Oeste, um morador da Rua Justino de Assis, que preferiu não se identificar, relata: "Estamos há 5 dias sem cair uma gota de água na rua". A solução tem sido depender de caminhões-pipa e comprar galões, além de acordar de madrugada para tentar encher as caixas d'água quando o abastecimento volta, de forma intermitente.
A situação se repete na Baixada Fluminense e no Complexo do Alemão. Neste último, moradores de pelo menos cinco localidades enfrentam problemas de abastecimento desde o início do ano. Sem água e, muitas vezes, sem energia, a única alternativa tem sido buscar refúgio nas ruas.
Resposta das concessionárias
Questionadas sobre os problemas, as empresas responsáveis pelos serviços se manifestaram. A Rio+Saneamento informou que enviou equipes para a Rua Justino de Assis, em Santa Cruz, para identificar e regularizar o serviço. A empresa atribuiu eventuais falhas ao consumo elevado provocado pelas altas temperaturas.
Já a Águas do Rio apontou que o abastecimento em comunidades foi impactado por uma redução na produção do Sistema Guandu, operado pela Cedae. A concessionária afirmou que enviaria equipes na quarta-feira, 14 de fevereiro, para verificar ocorrências pontuais nas regiões mencionadas.
Enquanto as promessas de reparo não se concretizam, cariocas de diversas zonas continuam sua batalha diária contra o calor, muitas vezes tendo que escolher entre o abafamento de suas casas e a exposição ao ar livre durante a noite, em um cenário de serviços públicos sob pressão extrema.