Pesquisadores da UFV identificam novas espécies de insetos aquáticos em Minas Gerais e Santa Catarina
Novas espécies de insetos aquáticos são descobertas por pesquisadores da UFV

Pesquisadores da UFV identificam novas espécies de insetos aquáticos em Minas Gerais e Santa Catarina

Pesquisadores do Museu de Entomologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV) realizaram uma descoberta científica significativa ao identificar três novas espécies de insetos aquáticos durante expedições em Minas Gerais e Santa Catarina. As espécies pertencem ao gênero Americabaetis, da ordem Ephemeroptera, conhecidos por passarem a maior parte da vida sob a água e, quando adultos, ganharem asas para um "último voo" que dura apenas algumas horas.

Homenagem aos povos originários e à ciência

Em Minas Gerais, a "estrela" da pesquisa é o Americabaetis puri, encontrado no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, na Zona da Mata mineira. O nome é uma homenagem aos Puri, povo indígena que tradicionalmente habitou a região. Já em Santa Catarina, os pesquisadores identificaram duas outras espécies:

  • Americabaetis anapes: encontrada em São Joaquim, o nome homenageia a pesquisadora Ana Maria Pes.
  • Americabaetis urubici: localizada no município de Urubici, de onde herdou o nome.

Segundo o pesquisador Frederico Salles, um dos envolvidos no projeto, as três famílias de insetos apresentam características de anatomia e tamanho próprios, moldadas pelos fatores geográficos das regiões onde foram encontradas. "O isolamento geográfico contribuiu para o desenvolvimento de traços únicos em cada espécie", explicou.

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Vida curta e intensa dos Ephemeroptera

O nome da ordem desses insetos, Ephemeroptera, combina duas palavras gregas: ephemeros (efêmero) e pteron (asa), representando a característica mais marcante do grupo: a brevidade da vida adulta. Enquanto a fase larval pode durar meses em riachos limpos e oxigenados, a fase adulta é dedicada exclusivamente à reprodução.

Durante esse período, eles não se alimentam, vivendo apenas poucas horas ou dias após saírem da água – tempo suficiente apenas para o acasalamento e a postura dos ovos. "É um ciclo de vida fascinante, onde cada momento é crucial para a perpetuação da espécie", destacou Salles.

Importância da descoberta para a conservação

A pesquisa representa uma vitória na conservação da fauna e flora brasileira, além de ser um fator importante na compreensão da história evolutiva desses organismos. "Tornar uma nova espécie conhecida permite a realização de diversos estudos, tanto voltados à conservação de habitats quanto à compreensão da história evolutiva desses organismos", ressaltou o pesquisador.

O Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, além de ser um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica em Minas Gerais, é berço de nascentes que alimentam as bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul. Para quem deseja conhecer, o parque oferece diversas opções de ecoturismo:

  1. Para caminhadas leves: Trilhas do Muriqui e do Encontro.
  2. Para aventureiros: Subidas ao Pico do Grama, Pico do Boné e Pedra do Pato.
  3. História e Ciência: Fazenda do Brigadeiro e Trilha da Lajinha.

A descoberta reforça a riqueza da biodiversidade brasileira e a importância de investimentos em pesquisa científica para a preservação ambiental. "Cada nova espécie identificada é um passo adiante na proteção dos nossos ecossistemas", concluiu Frederico Salles.

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