O Rio Acre voltou a transbordar em Rio Branco, capital do estado, atingindo um nível crítico de 14,54 metros às 9h deste domingo (18). A marca supera em mais de meio metro a cota de transbordamento, estabelecida em 14 metros, que já havia sido ultrapassada na sexta-feira (16). Esta é a terceira enchente grave a afetar a cidade em menos de um ano.
Famílias removidas e bairros sob água
De acordo com o último boletim da Defesa Civil Municipal, a situação já obrigou a remoção de dez famílias de suas residências. Seis delas foram alocadas no Parque de Exposições Wildy Viana, local onde foram montados 74 abrigos de forma emergencial para receber os desabrigados.
As ações de socorro estão concentradas inicialmente em bairros ribeirinhos, como Seis de Agosto, Cadeia Velha, Ayrton Senna, Base e Habitasa. No total, a enchente já atinge 20 bairros, impactando diretamente 521 famílias, o que representa mais de 1.823 pessoas. Além disso, 14 comunidades rurais também foram afetadas pelas águas.
Histórico recente de cheias e números alarmantes
Esta é a segunda grande enchente em menos de um mês e a terceira em um período inferior a um ano, evidenciando um ciclo crítico de cheias na região. O primeiro transbordamento significativo ocorreu em 10 de março de 2025, quando o rio atingiu 14,13 metros, chegando a um pico de 15,88 metros e afetando mais de 30 mil pessoas.
O segundo evento grave foi registrado em 27 de dezembro de 2025, há menos de um mês. Na ocasião, o Rio Acre subiu cerca de quatro metros em menos de 24 horas, alcançando 14,03 metros e um pico de 15,41 metros, com impacto para mais de 20 mil pessoas.
A atual cheia começou na sexta-feira (16), quando o manancial marcou 14,01 metros na medição das 15h. Na penúltima vez que o rio atingiu essa cota, permaneceu por cinco dias acima do nível de transbordamento, recuando apenas no dia 2 de janeiro.
Operações de segurança e previsão climática
Em meio à crise, a Defesa Civil, em conjunto com a Energisa, realiza inspeções em 12 bairros para verificar riscos na rede elétrica. A medida tem como objetivo realizar desligamentos preventivos onde necessário, garantindo a segurança da população.
O tempo nublado no sábado (17) não trouxe chuvas significativas, segundo a Defesa Civil. No entanto, o cenário já é crítico devido ao volume de precipitações acumulado. Com uma previsão de 287,5 milímetros de chuva para janeiro, os primeiros 15 dias do mês já registraram 372,2 milímetros, um volume aproximadamente 129,5% acima do esperado.
A elevação do rio está diretamente relacionada ao período de maior intensidade das chuvas na região. Um exemplo marcante ocorreu entre o domingo (11) e a manhã de segunda-feira (12), quando choveu 92,2 milímetros em cerca de nove horas na capital acreana.
As autoridades monitoram constantemente os níveis do rio, que segue em estado de alerta máximo. A população das áreas de risco deve seguir as orientações da Defesa Civil e estar preparada para possíveis novas remoções enquanto o Rio Acre permanece acima da cota de transbordamento.