Rússia planeja retomar ‘parceria plena’ e ‘diálogo’ com Talibã no Afeganistão
Rússia busca parceria plena com Talibã no Afeganistão

A Rússia tem buscado ativamente restabelecer uma ‘parceria plena’ com o Talibã no Afeganistão, conforme declarou um alto funcionário russo nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026. Essa movimentação ocorre quase um ano depois de a Rússia se tornar o primeiro país a reconhecer oficialmente o regime afegão. Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia expressou otimismo quanto às oportunidades comerciais e econômicas entre as duas nações, especialmente nos setores de energia, transporte, agricultura e infraestrutura.

Declarações de Sergei Shoigu

De acordo com a agência de notícias russa Interfax, o secretário do Conselho de Segurança, Sergei Shoigu, enfatizou que a cooperação com Cabul é crucial para a defesa da região. Durante uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), Shoigu afirmou que Moscou está reconstruindo um ‘diálogo pragmático’ com o Talibã, orientando o grupo a retomar o contato com o Afeganistão. A OCX é uma aliança intergovernamental que reúne dez países, incluindo China, Rússia e Irã.

Histórico de relações

O Talibã foi classificado como movimento terrorista pela Rússia em 2003, mas a proibição foi suspensa em abril de 2025. A aproximação atual é estratégica. Em março de 2024, 149 pessoas morreram em um ataque reivindicado pelo Estado Islâmico (EI) em uma sala de concertos nos arredores de Moscou. Informações de inteligência dos EUA indicaram que a responsabilidade foi do braço afegão do grupo terrorista, o Estado Islâmico Khorasan (ISIS-K). Aproximar-se do Talibã, portanto, oferece uma espécie de escudo contra ameaças extremistas.

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Talibã no poder

O grupo liderou o Afeganistão de 1996 a 2001. Após retomar o poder em 2021, o Talibã tentou projetar uma imagem mais moderada para obter apoio internacional. No entanto, apesar das promessas de proteger os direitos das mulheres, a postura linha-dura persiste: mulheres não podem frequentar escolas, academias ou parques, e foram proibidas de trabalhar para a ONU. Elas também são obrigadas a cobrir completamente seus corpos na presença de homens que não pertençam à sua família e a não falar em público ao sair de casa. Em 2024, 280 membros das forças de segurança afegãs foram afastados por não deixarem a barba crescer, e o regime deteve mais de 13.000 pessoas por ‘atos imorais’ no ano anterior.

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