Rússia emite alerta inédito e ameaça atacar centros de decisão na Ucrânia
Em uma escalada sem precedentes no conflito, a Rússia emitiu um alerta nesta segunda-feira (25) afirmando que atacará centros de decisão e comando da Ucrânia. Pela primeira vez desde a invasão em 2022, Moscou pediu que estrangeiros deixem Kiev e que moradores se afastem de prédios do governo. O comunicado, feito pelo Ministério das Relações Exteriores, justifica a operação como retaliação pela morte de 21 estudantes em um dormitório na região ocupada de Lugansk, no leste ucraniano, ocorrida na sexta-feira (22).
Fundo do conflito
O ataque ao dormitório foi um dos mais mortíferos contra civis do lado russo desde o início da guerra, gerando críticas do presidente Vladimir Putin. No domingo (24), ele ordenou um pesado ataque aéreo contra a região de Kiev, que matou quatro pessoas e feriu outras 80. O bombardeio envolveu 600 drones e 90 mísseis, incluindo modelos hipersônicos Kinjal e Tsirkon. Também foi utilizado ao menos um supermíssil Orechnik, projetado para guerras nucleares, que havia sido usado apenas duas vezes antes, nunca contra a região de Kiev.
Reações internacionais
O uso do Orechnik gerou protestos na Europa. O míssil balístico de alcance intermediário pode atingir alvos a até 5.000 km, sendo desenhado para aniquilar capitais do continente. Putin já havia dado dois sinais anteriores: na semana retrasada, testou o novo míssil intercontinental pesado Sarmat; na semana passada, lançou exercícios nucleares de surpresa, os maiores do pós-Guerra Fria, que usualmente ocorrem apenas em outubro. Durante esses exercícios, foram testadas armas estratégicas, como mísseis Iars e Sineva, além de simulações com mísseis Iskander-M em conjunto com Belarus.
Escalada da violência
O ataque ao dormitório em Lugansk intensificou a campanha de drones ucranianos contra alvos russos, especialmente instalações petrolíferas. Com a crise no Oriente Médio, os Estados Unidos relaxaram sanções à venda de petróleo russo para conter os preços globais, aumentando a entrada de petrodólares na Rússia. A guerra contra o Irã desviou a atenção de Donald Trump do conflito europeu, congelando negociações que se arrastavam desde o ano passado. Com isso, ambos os lados escalaram a violência, culminando no alerta russo inédito.
Possíveis consequências
Segundo fonte militar em Moscou, o governo Putin há muito debate um ataque mais devastador contra o governo de Volodimir Zelenski, possivelmente mirando o próprio presidente. No entanto, tal ação é vista como inócua, pois países preparados para essa hipótese mantêm governos funcionais, como demonstrado no Irã. No caso dos centros de comando militares de Kiev, o governo local já pulverizou sua estrutura pelo país. Um ataque direto ao quarteirão da sede do governo, na rua Bankova, poderia ter impacto psicológico, mas dificilmente atingiria Zelenski e poderia exacerbar a resistência ucraniana. Atualmente, as forças de Putin enfrentam uma linha de frente estagnada, apesar de avanços no início do ano.



