ANP confirma petróleo em poço raso no Ceará e inicia estudos de viabilidade
ANP confirma petróleo em poço raso no Ceará e inicia estudos

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou, na última quarta-feira (20), que o líquido escuro encontrado em um sítio no interior do Ceará é petróleo cru. Agora, a agência inicia uma fase de estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração comercial. O achado foi feito pelo agricultor Sidrônio Moreira, que perfurava o solo em busca de água em 2024, no município de Tabuleiro do Norte (CE).

A ANP destacou que não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica. Uma vez concluída, não há garantia de que a área será explorada comercialmente, pois os interessados ainda analisarão se a operação compensa financeiramente.

Processo de exploração pode levar anos

Antes da exploração propriamente dita, a ANP divide a região da jazida em blocos de exploração, áreas que serão leiloadas para empresas realizarem a extração de petróleo. O processo completo, desde a descoberta até as pesquisas, leilão, instalação da operação e obtenção de licenças ambientais, pode levar anos.

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Segundo a ANP, a partir do resultado da análise, foi aberto um processo administrativo para promover a avaliação técnica da área e de seu contexto geológico, inclusive quanto à eventual inclusão de bloco exploratório na Oferta Permanente de Concessão, principal modalidade atual de licitações para exploração e produção de petróleo e gás. A inclusão de blocos no edital da Oferta Permanente necessita de diversas etapas, não só internas da ANP, mas também de outros órgãos, como órgãos ambientais e ministérios.

Agricultor pode receber até 1%

Embora o subsolo pertença à União, o agricultor Sidrônio Moreira poderá receber um percentual de até 1% se houver exploração comercial futura. Esse repasse financeiro, garantido por lei, depende de vários fatores que ainda serão avaliados.

Descoberta por acaso

A substância foi encontrada em novembro de 2024 enquanto Sidrônio perfurava o solo em busca de água para abastecimento da família, que não possui água encanada. No lugar da água, jorrou um líquido preto, denso, viscoso e com cheiro de combustível. A família comunicou a ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 de março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1.

Os técnicos da ANP não colheram uma amostra no local, mas levaram uma amostra feita pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que acompanha o caso desde o início. A equipe da agência disse que o achado causou espanto, pois é incomum que líquido semelhante a petróleo jorre de uma profundidade considerada rasa, de apenas 40 metros.

Orientações e riscos

A ANP orientou que a área deve ficar isolada e que os moradores devem evitar contato com o material, pois pode trazer riscos. Os técnicos também disseram que ninguém mais pode acessar o poço e outras amostras não devem ser retiradas por ora.

Enquanto aguardava o laudo, a família seguia com problemas de acesso à água. No fim de março, a família voltou a receber água de uma adutora antiga da cidade, que voltou a funcionar com a repercussão do caso.

Viabilidade econômica

Muitas vezes, uma área mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrai interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, dificuldade de extração, custo da instalação da operação ou baixa qualidade do petróleo. Portanto, mesmo com a formação de um bloco de exploração, há a possibilidade de ele nunca ser arrematado.

O engenheiro Adriano Lima, que ajudou a família a contatar a ANP, explicou que o custo de montar uma unidade de produção precisa ser equivalente ao retorno esperado, relacionado à qualidade e quantidade do óleo e ao tempo de produção.

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