O dia 3 de abril de 2026 ficará marcado como uma tragédia aérea em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A queda de um avião monomotor sobre um restaurante resultou na morte das quatro pessoas que estavam a bordo da aeronave. O estabelecimento, que passava por reformas, estava vazio no momento do acidente, evitando feridos em solo. Um mês depois, o restaurante permanece destruído, sem previsão de reabertura.
Imagens mostram o momento da explosão
Câmeras de segurança capturaram o instante em que o monomotor atingiu o restaurante, gerando uma grande bola de fogo. O local foi consumido pelas chamas e pela explosão, ficando completamente destruído.
Proprietário expressa gratidão pela vida
Douglas Roos, dono do restaurante, afirma que, apesar da perda material, o sentimento predominante é de gratidão. Ele relembra que, na manhã do acidente, familiares e funcionários optaram por não abrir o estabelecimento devido ao feriado de Sexta-feira Santa. "Passados 30 dias, a sensação é um misto desta gratidão com a importância de ter que aguardar pelo desfecho burocrático para conseguir o ressarcimento, tendo em vista que o restaurante era o nosso meio de sustento", declarou.
Reformas e planos futuros
Roos conta que o restaurante estava passando por reformas pontuais no dia do acidente. "Essa tinha sido a primeira vez que fazíamos uma reforma para deixar ele exatamente como queríamos. Estava tudo novinho, muito bonito e bem decorado." O empresário pretende juntar recursos para reconstruir o negócio, que tem 16 anos de história, mas ainda não decidiu se será no mesmo local ou em um novo endereço.
Furto após o acidente
Horas após a tragédia, o restaurante foi alvo de furto. Durante a troca da vigilância, em menos de 20 minutos, foram levados itens como coifas, panelas e micro-ondas que não foram completamente danificados, além de pedaços da própria aeronave.
Funcionários dispensados e ajuda financeira
Sem previsão de reabertura, os oito funcionários fixos foram dispensados. Uma doação da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) ajudou a quitar parte da folha de pagamento, mas ainda faltam cerca de R$ 10 mil. A expectativa é que o seguro da empresa proprietária da aeronave auxilie na reconstrução.
Investigação em andamento
O avião, de matrícula PS-RBK, decolou de Itápolis, em São Paulo, com destino ao Rio Grande do Sul, com escala em Forquilhinha, Santa Catarina. O voo era uma demonstração para o casal de empresários que pretendia comprar a aeronave. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que a aeronave estava em situação normal de aeronavegabilidade, fabricada em 1999, com seis assentos e peso máximo de 1.970 kg. O modelo dispensa caixa-preta.
A Polícia Civil investiga a queda, e a Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), realiza a apuração técnica. O relatório final será publicado no site do Cenipa.
Vítimas do acidente
As vítimas foram o casal de empresários Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, o sócio da empresa de aviação Renan Saes e o piloto Nelio Pessanha. O casal, que atuava no setor de eventos e feiras têxteis, era natural de Ibitinga, interior de São Paulo, e morava em Xangri-Lá. Déborah era mãe de trigêmeos, e Luis, pai de um filho. Renan Saes e Nelio Pessanha foram velados em São Paulo.



