Cerca de 60 moradores do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, realizaram um protesto nesta sexta-feira (22) contra o encerramento do contrato que garantia hospedagem em hotéis para as famílias desalojadas após a explosão ocorrida em 11 de maio. O ato aconteceu na Avenida Presidente Altino, que chegou a ser interditada, e os manifestantes atearam fogo em objetos na via.
Fim do contrato de hospedagem
Os moradores afirmam que foram avisados de que deveriam deixar os hotéis nesta sexta-feira porque o contrato firmado entre a Sabesp e a Comgás, concessionárias responsáveis pelo atendimento emergencial, não foi prorrogado. Segundo eles, ainda não há definição sobre auxílio-aluguel, moradia definitiva ou eventual reassentamento.
“A Sabesp estabeleceu um contrato com os hotéis até o dia 22, que é hoje. Esse contrato foi encerrado e o que foi passado, provavelmente o que aconteceu, foi que ele não foi prorrogado. Então os hotéis pediram que os moradores saíssem do hotel justamente porque esse contrato não foi prorrogado”, afirmou a analista Caroline Rodrigues, que também perdeu sua casa na explosão.
Explosão deixou dois mortos e dezenas de imóveis danificados
O acidente aconteceu em 11 de maio, após uma obra da Sabesp atingir uma tubulação de gás da Comgás. A explosão deixou duas pessoas mortas, dezenas de imóveis danificados e transformou a rotina do bairro em um “cenário de guerra”, como descrito pelos próprios vizinhos afetados. Desde então, os desabrigados aguardam as investigações acomodados em casas de parentes ou em quartos de hotel.
Na época, o diretor institucional e regulatório da Comgás, Bruno Dalcomo, afirmou que a empresa pagaria “quantas diárias de hotel forem necessárias até as pessoas terem uma moradia”. A TV Globo pediu posicionamento à Sabesp e à Comgás, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
Moradores cobram solução definitiva
Durante o protesto, os moradores cobraram uma solução definitiva e reclamaram da falta de clareza sobre o futuro da comunidade atingida. “O que nós queremos é uma resposta concreta. Cada hora é uma resposta diferente”, disse o morador Luciano Melo. Segundo ele, parte das famílias teme ser obrigada a aceitar apartamentos oferecidos pelas autoridades, enquanto prefere retornar às casas na comunidade. “O que parece é que eles estão querendo forçar a gente a pegar apartamento. E a gente não quer apartamento. O que a gente quer é voltar para a nossa comunidade”, afirmou.
Em 13 de maio, o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, informou que a CDHU iniciou o cadastramento das famílias afetadas e fará a intermediação das indenizações com as concessionárias. Segundo ele, cerca de 40 imóveis recém-finalizados da CDHU poderiam ser disponibilizados para famílias que precisarem deixar suas casas durante as reformas. No entanto, Caroline Rodrigues ressalta que os moradores seguem sem informações concretas: “Eles não têm CDHU, eles não têm auxílio-aluguel, eles não têm nada. Porque isso ainda não foi definido. Como vai ser, se os moradores vão ser designados para os CDHUs, como vai ser confirmada a Carta de Crédito? Isso ainda não foi definido”.
Família sem destino após transferência falha
Edinaldo, outra vítima da explosão, relatou que estava hospedado em um hotel no Jaguaré, mas foi informado de que seria transferido para uma unidade em Osasco. Ao chegar ao local, porém, funcionários do estabelecimento disseram não haver nenhuma reserva em seu nome. A família precisou retornar ao Jaguaré sem ter para onde ir. No carro, estavam as roupas que conseguiram salvar da explosão, além de dois cachorros e o filho. Edinaldo passou a tarde no Jaguaré tentando obter respostas sobre onde a família ficará hospedada e qual será a solução definitiva.
Auxílio-aluguel criticado
Um dos moradores também criticou o valor de um possível auxílio-aluguel discutido com as famílias. “Vieram oferecer um auxílio-aluguel de R$ 800. Um aluguel de R$ 800 aqui no Jaguaré não existe nunca”, disse.
Em nota, a Polícia Militar informou que acompanha a manifestação e que equipes atuam no local para preservação da ordem pública e segurança viária. A CET e o Corpo de Bombeiros também foram acionados para apoio à ocorrência.



