Um incêndio devastador durante uma festa de Ano-Novo em um bar na estação de esqui suíça de Crans-Montana resultou em uma das piores tragédias do país nas últimas décadas. As autoridades confirmaram 47 mortes e mais de uma centena de feridos, muitos em estado grave.
Identificação das vítimas é um processo doloroso e lento
Nesta sexta-feira (2), as autoridades divulgaram a identidade da primeira vítima fatal: Emanuele Galeppin, um jovem italiano de 16 anos que era golfista e morava em Dubai. A tarefa de identificar os demais corpos, no entanto, promete ser longa e complexa devido à gravidade das queimaduras.
"Todo esse trabalho é necessário porque as informações são tão terríveis e sensíveis que nada pode ser dito às famílias sem 100% de certeza", explicou Mathias Reynard, chefe de governo do cantão de Valais. Especialistas estão utilizando amostras dentárias e de DNA para realizar as identificações.
Enquanto isso, famílias de jovens desaparecidos vivem um drama insuportável. "Estou procurando meu filho há 30 horas. A espera é insuportável", desabafou Laetitia, mãe do desaparecido Arthur, de 16 anos, em entrevista à BFM TV. Ela expressou o desespero de não saber se o filho está vivo em algum hospital ou se está entre as vítimas fatais.
Origem do fogo e relatos de sobreviventes
As investigações iniciais apontam que o incêndio foi um acidente. Relatos de sobreviventes e vídeos publicados em redes sociais sugerem que o teto do porão do bar Le Constellation pode ter pegado fogo quando velas de faíscas se aproximaram demais da estrutura.
A tragédia trouxe à memória de muitos brasileiros o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013, que matou 242 pessoas após o uso de artefatos pirotécnicos. A similaridade nos fatores de risco – materiais inflamáveis no teto e uso de pirotecnia – chama a atenção para a repetição de padrões perigosos.
O alívio misturado com trauma também marcou os relatos daqueles que escaparam por pouco. Emma, de 18 anos e de Genebra, contou que havia uma fila enorme no local e ela e seus amigos desistiram de entrar. "Podia ter sido a gente", disse ela, em choque. "Vejo os desaparecidos e são todos da nossa idade."
Resposta internacional e balanço atualizado
A tragédia mobilizou embaixadas de vários países. O Itamaraty informou que não há brasileiros na lista de vítimas. Itália e França estão entre as nações que confirmaram cidadãos desaparecidos. O ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, deve visitar Crans-Montana.
Segundo o embaixador italiano na Suíça, Gian Lorenzo Cornado, dos 112 feridos, todos menos cinco já foram identificados. Seis italianos continuam desaparecidos, 13 estão hospitalizados no local e seis já foram repatriados.
O papa Francisco emitiu uma mensagem expressando compaixão e preocupação com os familiares. "Rezo para que Deus acolha os falecidos em sua morada de paz e luz, e sustente a coragem daqueles que sofrem no coração ou no corpo", disse em comunicação dirigida ao bispo da diocese de Sion, onde ocorreu o incêndio.
As autoridades suíças prometem trabalhar 24 horas por dia para concluir a identificação de todas as vítimas, um processo que, diante da dimensão da tragédia, ainda deve levar vários dias.