Uma celebração de Ano-Novo terminou em tragédia na estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça. Um incêndio devastador em um bar lotado causou a morte de pelo menos 47 pessoas e deixou mais de 110 feridos. O fogo começou por volta das 1h30 da madrugada do dia 1º de janeiro de 2026, quando o estabelecimento estava repleto de jovens festejando a virada do ano.
O momento do princípio do fogo
Um vídeo que viralizou nas redes sociais capturou os instantes iniciais da catástrofe. Nas imagens, um homem não identificado tenta, em vão, apagar o início das chamas usando apenas um pedaço de pano. O fogo se espalhou em questão de segundos, em um fenômeno conhecido como flashover, onde todo o ambiente entra em combustão quase ao mesmo tempo.
O que chama a atenção no registro é a reação de parte dos frequentadores. Vários jovens aparecem filmando as chamas de maneira aparentemente despreocupada, sem demonstrar a percepção imediata do perigo iminente e da necessidade de fuga urgente.
Identificação das vítimas e vidas perdidas
As autoridades suíças iniciaram na sexta-feira, 2 de janeiro, o doloroso processo de identificação dos corpos. A tarefa é complexa e deve levar vários dias, pois a maioria das vítimas estava carbonizada. O primeiro nome divulgado foi o de Emanuele Galeppini, um golfista italiano de 16 anos que morava em Dubai e integrava seleções juvenis de seu país.
O adolescente estava em Crans-Montana com a família para as festas de fim de ano. De acordo com a imprensa italiana, ele foi ao bar Le Constellation com dois amigos, que conseguiram escatar-se e foram hospitalizados. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, expressou a gravidade da situação, mencionando que três pessoas feridas ainda não foram identificadas e que os ferimentos dos sobreviventes são horríveis.
Investigação e possíveis causas
A principal linha de investigação aponta para uma prática festiva comum em casas noturnas europeias: o uso de garragens de champanhe com faíscas ou sinalizadores pirotécnicos. Vídeos promocionais antigos do bar Le Constellation, recuperados pela imprensa suíça e francesa, mostram funcionários circulando com esses artefatos acesos.
As suspeitas são de que o fogo tenha começado no forro do subsolo, possivelmente revestido com material altamente inflamável, o que explicaria a velocidade assustadora da propagação das chamas.
Consequências e alerta médico
O número de mortos ainda pode aumentar. Stéphane Ganzer, um funcionário regional de saúde e segurança, alertou para a gravidade do estado de muitos feridos. Ele explicou à rádio RTL que entre 80 e 100 pessoas estão em estado grave, com risco de vida.
"Quando 15% ou mais do corpo de um adulto sofre queimaduras de terceiro grau, existe o risco de morte nos dias e horas seguintes", afirmou Ganzer, destacando a preocupação com as vítimas que ainda lutam pela vida nos hospitais.
Repercussão internacional e debate sobre segurança
A tragédia provocou comoção mundial e reacendeu um debate urgente sobre as normas de segurança em ambientes fechados e de grande aglomeração. O incidente lembra outras catástrofes recentes, como o incêndio em uma boate na Macedônia do Norte e episódios com pirotecnia em clubes na Espanha e na Rússia.
O caso do bar Le Constellation levanta questões críticas sobre o controle de materiais inflamáveis, a capacitação de equipes para emergências e a conscientização do público sobre rotas de fuga em situações de pânico. A investigação continua para determinar com precisão todas as causas e responsabilidades por uma das maiores tragédias recentes na Europa.