Ministro Luiz Marinho acompanha caso de trabalhadores rurais acidentados na BR-153 em Bauru
Marinho acompanha caso de trabalhadores acidentados na BR-153

Ministro do Trabalho acompanha investigação sobre acidente fatal na BR-153

O Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, cumpriu agenda nesta sexta-feira (20) em Bauru, onde abordou o grave acidente envolvendo um ônibus que transportava trabalhadores rurais pela Rodovia Transbrasiliana (BR-153), no trecho entre Ocauçu e Marília, no interior de São Paulo. Durante visita à Câmara de Vereadores, Marinho destacou que um processo já foi aberto pela pasta para apurar possíveis irregularidades na contratação desses trabalhadores, com foco em denúncias de trabalho análogo à escravidão.

Investigações revelam vulnerabilidade e falta de informações

De acordo com as investigações, os passageiros saíram de cidades do Maranhão com destino a Santa Catarina, onde trabalhariam na colheita de maçãs. No entanto, sobreviventes relataram não saber para qual cidade iriam ou sob quais condições trabalhariam, evidenciando uma situação de extrema vulnerabilidade. O ministro afirmou que o coordenador da área de combate à escravidão no estado de São Paulo está liderando o processo, e resultados iniciais podem ser divulgados em breve.

"Infelizmente, é uma ação, acredito eu — as investigações vão dizer isso — de uma certa ausência de responsabilidade em um processo como esse [de contratação dos trabalhadores]. Nosso coordenador, que trabalha na área escravidão no estado de São Paulo, está coordenando esse processo", disse Marinho em entrevista à TV TEM. Ele enfatizou a necessidade de atenção em todo o processo de contratação de mão de obra interestadual para garantir a legalidade.

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Detalhes do acidente e condições precárias do ônibus

O acidente resultou em sete mortes — seis no local e uma no hospital — e mais de 40 feridos. Investigadores apontam que o ônibus apresentava várias irregularidades, incluindo a falta de cintos de segurança, pneus carecas, farol queimado e a ausência de um pneu em um dos eixos, que foi retirado antes da entrada em São Paulo. O motorista, Claudemir Moraes Moura, foi preso em flagrante e será investigado por homicídio e lesão corporal na direção de veículo automotor.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo tombou após um pneu estourar, com o motorista perdendo o controle. A empresa responsável pelo transporte, do Maranhão, não tinha autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para fretamento interestadual, e será investigada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP).

Acolhimento e apoio social às vítimas

A secretária municipal de Assistência Social de Marília, Hélide Maria Parrera, informou que os sobreviventes recebem alta hospitalar são encaminhados para a Casa Cidadã, onde passam por acolhimento e apoio psicossocial. A equipe também realiza contato com as famílias das vítimas. Muitos trabalhadores, com baixa escolaridade, buscavam oportunidades no Sul sem clareza sobre destino ou função, reforçando a vulnerabilidade social.

Além disso, a Prefeitura de Marília atua em conjunto com a Secretaria de Desenvolvimento Social do Maranhão para emitir novos documentos perdidos no acidente, viabilizando o retorno dos sobreviventes por transporte aéreo. Um convênio de aproximadamente R$ 235 mil foi firmado para custear o retorno e assistência, com cerca de R$ 185 mil provenientes do governo estadual.

MPT e investigações trabalhistas

O Ministério Público do Trabalho (MPT) acionou a Polícia Civil para acompanhar as investigações. A delegada Renata Ono destacou fortes indícios de infrações trabalhistas, como ausência de contrato formal e recrutamento por terceiro, possivelmente configurando intermediação ilícita de mão de obra. O MPT deve instaurar procedimento para apurar responsabilidades e assegurar direitos das vítimas e familiares.

O Hemocentro de Marília solicitou doações de sangue, com mais de 200 registradas desde o acidente. Feridos foram encaminhados a vários hospitais locais, com alguns ainda em estado grave na UTI. Os corpos das vítimas fatais já foram enviados ao Maranhão para sepultamento.

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Em depoimentos emocionantes, sobreviventes como José da Silva Reis, que perdeu o pai no acidente, relataram o susto e os esforços para ajudar outros feridos. "Quando eu abracei meu pai, ele já estava morto", contou à TV TEM, destacando a tragédia que afetou dezenas de famílias.