Tragédia em mina de coltan no Congo: mais de 200 mortos em desabamento controlado por rebeldes
Uma catástrofe de grandes proporções abalou a mineração no leste da República Democrática do Congo. Mais de 200 pessoas perderam a vida em um desabamento ocorrido na mina de coltan de Rubaya, conforme confirmado por autoridades locais nesta sexta-feira, 30 de março de 2025. O incidente, que aconteceu na quarta-feira anterior, 28 de março, expõe as condições precárias e os riscos enfrentados por trabalhadores em uma região rica em minerais, mas marcada por conflitos armados.
Detalhes da tragédia e confirmação oficial
Lubumba Kambere Muyisa, porta-voz do governador da província onde a mina está localizada, forneceu a informação à agência Reuters. Ele revelou que "mais de 200 pessoas foram vítimas desse deslizamento de terra, incluindo mineiros, crianças e comerciantes". Muyisa acrescentou que algumas pessoas conseguiram ser resgatadas a tempo, porém sofreram ferimentos graves. Um assessor do governador, que falou sob condição de anonimato por não estar autorizado a dar declarações à imprensa, afirmou que o número de mortos confirmados era de pelo menos 227.
Contexto da mina de Rubaya e sua importância global
Rubaya não é uma mina qualquer. Ela produz aproximadamente 15% do coltan mundial, um mineral estratégico que, após processamento, se transforma em tântalo. Este metal é conhecido por sua resistência ao calor e é amplamente utilizado por fabricantes de dispositivos eletrônicos, como celulares e computadores, além de componentes aeroespaciais e turbinas a gás. A extração, no entanto, é feita de forma manual por moradores locais, que recebem apenas alguns dólares por dia, em condições extremamente perigosas.
Controle rebelde e conflitos regionais
A mina de Rubaya está sob o controle do grupo rebelde M23 desde 2024. Este grupo, fortemente armado, tem como objetivo declarado derrubar o governo central em Kinshasa e garantir a segurança da minoria tutsi congolesa. Durante um avanço-relâmpago no ano passado, os rebeldes conquistaram ainda mais território rico em minerais no leste do Congo. As Nações Unidas acusam o M23 de saquear as riquezas de Rubaya para financiar sua insurgência, uma alegação apoiada pelo governo da vizinha Ruanda, mas negada veementemente pelo governo de Kigali.
Impacto humano e incertezas
O desabamento ocorreu em uma área onde a mineração artesanal é comum, envolvendo não apenas adultos, mas também crianças, que muitas vezes trabalham ao lado de familiares. A tragédia ressalta os perigos inerentes a essa atividade, especialmente em regiões instáveis politicamente. Até sexta-feira, o número exato de vítimas ainda não estava totalmente claro, indicando a dificuldade de acesso e comunicação na zona controlada por rebeldes. Esta não é apenas uma questão de acidente de trabalho, mas um reflexo da complexa teia de conflitos, exploração mineral e vulnerabilidade humana que caracteriza a região.