Retorno parcial das aulas em Juiz de Fora após temporal devastador
Na próxima segunda-feira, dia 9 de dezembro, a maioria dos estudantes de Juiz de Fora retornará às salas de aula após quase dez dias de suspensão das atividades escolares. A medida foi necessária devido ao cenário de destruição causado pelo temporal intenso que atingiu a região, resultando em 65 mortes confirmadas e mais de 8.500 pessoas desabrigadas ou desalojadas. As redes municipal, estadual e federal de ensino retomam suas atividades, com exceções significativas que refletem a gravidade da situação.
Rede municipal: 83 das 107 escolas voltam a funcionar
Na rede municipal de ensino, o retorno será parcial e cuidadosamente planejado. Das 107 unidades administradas pela Prefeitura de Juiz de Fora, 83 escolas retomarão o funcionamento normalmente. Nas creches parceiras, 46 das 50 unidades reiniciarão o atendimento, beneficiando aproximadamente 5.850 crianças que poderão retornar à rotina educacional.
Entretanto, diversas unidades permanecerão com as atividades suspensas, principalmente aquelas que estão sendo utilizadas como abrigos temporários para famílias desabrigadas pelo temporal. Entre as escolas que não retornarão na segunda-feira estão:
- Escola Municipal Amélia Mascarenhas
- Escola Municipal Amélia Pires
- Escola Municipal Antônio Carlos Fagundes
- Escola Municipal Áurea Bicalho
- Escola Municipal Belmira Duarte Dias
- Escola Municipal Fernão Dias Paes
- Escola Municipal Gabriel Gonçalves da Silva
- Escola Municipal Henrique José de Souza
- Escola Municipal Prefeito Dilermando Cruz Filho
- Escola Municipal Professor Paulo Rogério dos Santos
- Escola Municipal Professora Marlene Barros
- Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves
Além dessas, outras escolas e creches comunitárias também permanecerão fechadas temporariamente, incluindo a Escola Municipal Antônio Faustino da Silva, Escola Municipal Bom Pastor, e diversas creches comunitárias que atendem comunidades vulneráveis.
Instituições federais e estaduais: João XXIII é exceção
Enquanto o campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e as unidades do IF Sudeste retomam as aulas normalmente na segunda-feira, o Colégio de Aplicação João XXIII constitui a única grande exceção entre as instituições de ensino da cidade. O colégio foi interditado pela Defesa Civil para realização de obras emergenciais necessárias após os danos causados pelo temporal.
A UFJF já montou uma comissão multidisciplinar para avaliar as condições de estabilidade e segurança da região onde o colégio está localizado. A universidade está analisando alternativas de espaços possíveis para ocupação emergencial, visando garantir segurança para estudantes, professores, funcionários técnico-administrativos e trabalhadores terceirizados, além de minimizar atrasos no calendário acadêmico.
Na rede estadual de educação, a Secretaria Estadual de Educação informou que 28.389 alunos de 44 escolas retomam as atividades na próxima segunda-feira, representando um importante passo na normalização da vida educacional na cidade.
Contexto do desastre e esforços de recuperação
O temporal que atingiu Juiz de Fora e região causou uma das maiores tragédias recentes na Zona da Mata mineira. Além das 65 vítimas fatais, milhares de famílias tiveram que deixar suas casas, muitas completamente destruídas pelas fortes chuvas e deslizamentos de terra. As escolas que permanecem fechadas representam um sacrifício necessário para abrigar temporariamente essas famílias enquanto não encontram soluções habitacionais definitivas.
A força-tarefa montada pelas autoridades locais e estaduais continua trabalhando no atendimento às famílias desabrigadas, na reconstrução da infraestrutura danificada e na retomada gradual dos serviços essenciais. O retorno das aulas, mesmo que parcial, simboliza um importante marco na recuperação da normalidade na cidade, demonstrando a resiliência da comunidade educacional frente à adversidade.
As autoridades reforçam que a prioridade continua sendo a segurança de todos os envolvidos, tanto nas escolas que retomam atividades quanto naquelas que permanecem como abrigos ou passam por reparos estruturais. A situação será reavaliada constantemente conforme avançam os trabalhos de recuperação pós-temporal.



