Hugo Motta usou 176 voos da FAB como presidente da Câmara; 43% para a Paraíba
Hugo Motta usou 176 voos da FAB; 43% para a Paraíba

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou 176 voos da Força Aérea Brasileira (FAB) durante seu mandato à frente da Casa, segundo levantamento obtido com exclusividade pelo blog. Desse total, 43% dos deslocamentos tiveram como destino a Paraíba, seu estado de origem.

Detalhamento dos voos

Os dados, compilados a partir de registros oficiais, mostram que Motta voou em aeronaves da FAB para 76 cidades diferentes. A maioria dos voos, 75 no total, foi para Brasília, sede do governo federal. Em segundo lugar, aparece João Pessoa, capital da Paraíba, com 43 voos. Outros destinos frequentes incluem São Paulo (12 voos), Rio de Janeiro (10) e Recife (8).

Uso de aeronaves oficiais

O levantamento abrange o período de fevereiro de 2025, quando Motta assumiu a presidência da Câmara, até junho de 2026. Durante esses 17 meses, ele utilizou diferentes tipos de aeronaves, como o jato Legacy 500 e o turboélice C-98 Caravan. A média foi de aproximadamente 10 voos por mês.

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Em nota, a assessoria de Hugo Motta justificou o uso dos voos: "Todos os deslocamentos seguiram as normas vigentes e foram motivados por compromissos institucionais, incluindo agendas parlamentares, reuniões com lideranças locais e eventos oficiais." A assessoria destacou ainda que "a presença do presidente da Câmara em diversas regiões do país é essencial para o fortalecimento do diálogo federativo."

Comparação com antecessores

Especialistas em administração pública comparam o número de voos de Motta com o de seus antecessores. Arthur Lira (PP-AL), que presidiu a Câmara de 2021 a 2025, utilizou 412 voos da FAB em quatro anos, uma média de 103 voos por ano. Rodrigo Maia (DEM-RJ), no cargo entre 2016 e 2021, registrou 389 voos em cinco anos, média de 78 voos anuais. Motta, em menos de um ano e meio, já acumula 176 voos, o que representa uma média anualizada de 124 voos — superior à de ambos.

O cientista político Carlos Melo, do Insper, avalia que "a alta frequência de voos para a base eleitoral do presidente da Câmara pode ser interpretada como uso de recursos públicos para fins político-eleitorais, embora não haja ilegalidade se os deslocamentos estiverem vinculados a atividades parlamentares."

Impacto financeiro

Cada hora de voo de uma aeronave Legacy 500 custa aos cofres públicos aproximadamente R$ 18 mil, segundo dados da FAB. Já o C-98 Caravan tem custo horário de cerca de R$ 3,5 mil. Considerando a duração média dos voos, estima-se que os 176 deslocamentos tenham gerado um gasto total superior a R$ 2 milhões.

O levantamento foi feito com base em dados disponíveis no Portal da Transparência e em solicitações via Lei de Acesso à Informação. A reportagem não encontrou irregularidades formais nos registros, mas a concentração de voos para a Paraíba chama a atenção de observadores.

Repercussão política

Parlamentares de oposição criticaram o uso intensivo da frota oficial. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) afirmou: "É inaceitável que o presidente da Câmara use a FAB como táxi aéreo pessoal para visitar sua base eleitoral. Isso fere o princípio da moralidade pública." Já aliados de Motta defendem que o número de voos é compatível com a agenda de um chefe de Poder que precisa estar presente em todo o Brasil.

O próprio Hugo Motta, em entrevista recente, disse que "os voos são instrumentos de trabalho" e que "não há excessos". Ele prometeu divulgar mensalmente a agenda de voos para dar transparência ao uso das aeronaves.

Contexto legal

O uso de aeronaves da FAB por autoridades é regulamentado por decreto presidencial, que estabelece que os voos devem ser para "serviço público ou missão de interesse institucional". Cabe à Presidência da República autorizar cada deslocamento. No caso de presidentes da Câmara, a solicitação é feita diretamente ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O levantamento não inclui voos realizados por Motta em aeronaves comerciais ou particulares. A assessoria informou que todos os voos da FAB foram autorizados pelo GSI e que não há pendências de prestação de contas.

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