O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende indicar duas mulheres para cargos de diretoria no Banco Central (BC), em um movimento para aumentar a diversidade de gênero na cúpula da instituição. No entanto, uma rusga política com o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tem travado o andamento das nomeações no Senado, onde os nomes precisam ser sabatinados e aprovados.
Planos de Lula para o BC
De acordo com fontes ouvidas pelo blog, Lula já teria pré-selecionado duas economistas de perfil técnico e alinhadas com a política econômica do governo. As indicações visam preencher vagas abertas na diretoria do BC, que atualmente conta com maioria masculina. A estratégia do presidente é reforçar a presença feminina em cargos de alto escalão, atendendo a demandas de movimentos sociais e de sua própria base política.
Impasses no Senado
O entrave, porém, está na relação entre o governo e o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo interlocutores, Alcolumbre não teria agendado as sabatinas dos indicados devido a desentendimentos com o Palácio do Planalto sobre outras pautas. A demora preocupa o governo, que esperava aprovar os nomes ainda neste semestre.
“A situação está tensa. O governo quer acelerar, mas a relação com Alcolumbre não está boa”, afirmou uma fonte ligada ao Ministério da Fazenda. O senador, por sua vez, nega que haja retaliação e afirma que as nomeações seguem o rito normal.
Impacto nas nomeações
Sem a aprovação do Senado, as indicadas não podem assumir os cargos. O BC opera atualmente com diretores em exercício, mas a indefinição gera incertezas no mercado financeiro. Analistas apontam que a demora pode afetar a autonomia operacional da instituição, especialmente em um momento de ajuste da política monetária.
A expectativa é que as negociações entre o governo e Alcolumbre se intensifiquem nos próximos dias. O Planalto já sinalizou disposição para negociar outras pautas em troca da celeridade nas sabatinas. Enquanto isso, os nomes das possíveis indicadas são mantidos em sigilo para evitar desgastes públicos.



