Socorro a empresas aéreas é estratégico para o turismo
Socorro a empresas aéreas é estratégico para o turismo

O socorro financeiro às empresas aéreas é considerado estratégico para a retomada do turismo no Brasil, segundo especialistas do setor. A pandemia de Covid-19 causou perdas de R$ 280 bilhões ao turismo nacional, e a recuperação depende da saúde financeira das companhias aéreas, que são o principal meio de transporte para destinos turísticos.

Impacto da pandemia no setor aéreo

As empresas aéreas brasileiras acumularam prejuízos bilionários desde o início da crise sanitária. Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) indicam que o setor teve uma redução de 93% na demanda por voos em abril de 2020, no pico da pandemia. A recuperação tem sido gradual, mas ainda está longe dos níveis pré-pandêmicos.

Segundo o presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, “o apoio financeiro é essencial para evitar falências e garantir a continuidade das operações. Sem as empresas aéreas, o turismo simplesmente não funciona”. Ele destaca que a malha aérea é o principal elo entre as regiões turísticas e os grandes centros emissores de viajantes.

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Medidas de socorro adotadas

O governo federal anunciou linhas de crédito especiais para o setor aéreo, totalizando R$ 15 bilhões em recursos. Além disso, foram prorrogados prazos para pagamento de tributos e reduzidas alíquotas de contribuições sociais. A medida visa aliviar o caixa das companhias, que enfrentam custos fixos elevados, como combustível e manutenção de aeronaves.

Especialistas, no entanto, alertam que o socorro precisa ser acompanhado de contrapartidas, como a manutenção de rotas para destinos turísticos menos rentáveis. “Não adianta salvar as empresas se elas cortarem voos para cidades do interior ou regiões mais afastadas. O turismo precisa de conectividade”, afirma a economista Laura Carvalho, da USP.

Retomada gradual do turismo

O turismo nacional começa a mostrar sinais de recuperação, impulsionado pelo avanço da vacinação e pela flexibilização das restrições. Em janeiro de 2022, o fluxo de passageiros nos aeroportos brasileiros atingiu 70% do volume registrado em janeiro de 2020, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Para o secretário de Turismo do Rio de Janeiro, Gustavo Tutuca, “o socorro às aéreas é um investimento no futuro do turismo. Cada real aplicado agora gera empregos e renda no médio prazo”. Ele ressalta que o setor é responsável por 8% do PIB nacional e emprega diretamente 2 milhões de pessoas.

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços, o setor enfrenta desafios como o aumento do preço do querosene de aviação, que subiu 60% em 2021, e a desvalorização do real frente ao dólar, que encarece as operações. As companhias aéreas também têm dificuldade para repassar os custos ao consumidor, já que a demanda ainda é frágil.

O presidente da Embratur, Carlos Brito, defende que o governo crie um fundo garantidor para o setor, nos moldes do que foi feito para a indústria naval. “Precisamos de instrumentos financeiros de longo prazo. O turismo é uma atividade estratégica e não pode ficar refém da volatilidade cambial”, afirmou.

A expectativa é que, com o avanço da vacinação e a retomada dos voos internacionais, o setor aéreo volte a operar com capacidade plena até o final de 2023. Até lá, o socorro financeiro continua sendo crucial para evitar colapsos e garantir que o turismo brasileiro não perca ainda mais competitividade.

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