Moradores do RJ denunciam tráfico cobrando taxa de até R$500 por água
Moradores denunciam tráfico cobrando taxa de até R$500 por água

Moradores da comunidade Beira Rio, em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, denunciam que traficantes estariam cobrando uma taxa mensal de até R$ 500 para permitir o acesso ao abastecimento de água na região. Segundo os relatos, além da conta paga à concessionária responsável pelo serviço, os moradores precisam fazer um pagamento extra aos criminosos para não terem o fornecimento prejudicado.

Extorsão sistemática

“Eles começaram a extorquir o valor de R$ 50 por mês para permitir que a Iguá continuasse a oferecer água para todos. E além disso, a gente ainda paga para a Iguá. Ou seja, você paga R$ 100 de água para a Iguá e mais R$ 50 para o tráfico para poder ter um direito que já é nosso”, afirmou um morador, que preferiu não se identificar.

As denúncias envolvem moradores da área próxima ao fim da Rua José Leite Lopes e do entorno da Rua Capitão Pedro Afonso. De acordo com os relatos, a cobrança irregular ocorre há pelo menos três ou quatro anos e faz parte de um esquema mais amplo de extorsão imposto por criminosos que atuam na região.

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Valores e serviços controlados

Segundo os moradores, comerciantes e residentes são obrigados a pagar valores que variam de R$ 50 a R$ 500 por mês sob diferentes justificativas. Além da taxa relacionada ao abastecimento de água, haveria cobranças por serviços de internet e contribuições exigidas de estabelecimentos comerciais.

Os relatos apontam que o fornecimento de água, em alguns casos, estaria condicionado ao pagamento das taxas informais. Já o serviço de internet controlado pelos criminosos custaria cerca de R$ 100 mensais, mas poderia chegar a R$ 160 em caso de atraso. No comércio local, as cobranças podem alcançar R$ 500.

Intimidação e restrições

Moradores também afirmam que equipes de concessionárias e prestadores de serviços enfrentam dificuldades para entrar na comunidade e realizar reparos devido a restrições impostas por homens armados. Há ainda denúncias de que empresas de internet foram substituídas por serviços controlados pelos próprios criminosos.

As restrições afetam até mesmo a mobilidade dos moradores. Segundo os relatos, motoristas de aplicativo evitam circular em determinadas áreas da comunidade, obrigando passageiros a caminhar até pontos mais afastados, como trechos da Estrada dos Bandeirantes, para conseguir transporte.

Os moradores também relatam episódios de intimidação, abordagens em residências e limitações para circular livremente dentro da comunidade. Algumas denúncias mencionam ainda ocupações irregulares de imóveis e expulsão de moradores.

Resposta das autoridades

Procurada, a Light informou que só realiza serviços em locais onde há condições de segurança para suas equipes. A concessionária afirmou ainda que mantém diálogo com lideranças comunitárias e, quando necessário, conta com o apoio de órgãos públicos para viabilizar o atendimento.

A Polícia Militar informou que mantém o policiamento ostensivo na região. Já a Polícia Civil afirmou que atua de forma permanente no combate às facções criminosas e às milícias por meio de investigações e ações de inteligência. A corporação destacou que trabalha para identificar integrantes desses grupos, combater extorsões e outras práticas criminosas que afetam moradores.

A polícia citou ainda uma operação realizada nesta semana contra o núcleo financeiro de uma milícia que atua na Zona Oeste, voltada ao combate a um esquema de cobranças ilegais e lavagem de dinheiro.

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