Amazonas: área protegida maior que Uruguai lidera conservação no Brasil
Amazonas: área protegida maior que Uruguai

O Amazonas possui uma área protegida por Unidades de Conservação (UCs) superior ao território de países inteiros. Apenas as 42 áreas administradas pelo governo estadual somam cerca de 19 milhões de hectares de floresta preservada, um território maior que o Uruguai e superior à soma dos estados do Ceará e de Santa Catarina.

O tamanho da conservação no Amazonas

As Unidades de Conservação são áreas protegidas por lei para preservar a natureza e seus recursos. No Amazonas, incluem categorias como Áreas de Proteção Ambiental (APAs), Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS), Reservas Extrativistas (Resex), Parques Estaduais, Monumentos Naturais e Florestas Estaduais. Cada tipo possui regras próprias: algumas permitem moradores e uso controlado dos recursos, enquanto outras têm normas mais restritivas para garantir a biodiversidade.

Segundo dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 260 mil pessoas vivem dentro de UCs no Amazonas. Cerca de 96% estão em áreas de Uso Sustentável, como RDS e Resex, onde a conservação ocorre junto com a moradia e o sustento de comunidades tradicionais.

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Desafios da gestão territorial

Ao g1, o secretário de Estado do Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, afirmou que a distância entre as unidades é um dos principais obstáculos. "Gerenciar 19 milhões de hectares territorialmente grandes e geograficamente distantes é um dos nossos principais desafios. Nossa estratégia tem sido fortalecer a gestão comunitária, apoiar associações locais e integrar políticas públicas com outras áreas, como Educação e Saúde", disse.

Segundo Taveira, há unidades próximas a Manaus, com acesso em poucas horas de lancha, mas também áreas onde o deslocamento leva dias e envolve custos elevados. Ele cita reservas como a RDS do Cujubim e a RDS do Rio Gregório, onde o transporte pode exigir operações aéreas e terrestres com valores superiores a R$ 12 mil por pessoa em agendas partindo da capital.

Recursos escassos e cooperação internacional

O secretário aponta a falta de recursos financeiros e os impactos das crises climáticas como desafios adicionais. Investimentos em conservação disputam espaço com saúde e educação, e o estado busca recursos externos para monitoramento e proteção de áreas ameaçadas pelo desmatamento, principalmente no sul do Amazonas. "Os recursos necessários para dar conta de todas essas políticas públicas são muito escassos. Por isso, recursos de cooperação internacional são fundamentais", afirmou.

Populações tradicionais nas áreas protegidas

Nas unidades de Uso Sustentável, a preservação da floresta ocorre junto com a permanência de comunidades tradicionais. Diferente de áreas de proteção integral, como Parques Nacionais, reservas como RDS e Resex permitem que famílias vivam e desenvolvam atividades econômicas de baixo impacto, como manejo sustentável do pirarucu, coleta de castanha, cultivo de mandioca e turismo de base comunitária.

Apesar da importância dessas populações, moradores enfrentam isolamento geográfico e dificuldade de acesso a serviços básicos como energia elétrica, internet, água potável e educação. Para o doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia Antonio Norte, um dos principais problemas é garantir segurança jurídica. "As RDS e Resex foram criadas para conciliar conservação e permanência das populações tradicionais, mas ainda existem dificuldades relacionadas à regularização fundiária e à formalização dos direitos dessas comunidades", explicou.

Pressão sobre as unidades de conservação

Mesmo com uma das maiores áreas protegidas do Brasil, as UCs continuam sob pressão. Especialistas alertam que áreas próximas a estradas e fronteiras agrícolas, principalmente APAs e reservas, sofrem com o avanço de atividades ilegais. Antonio Norte destaca a diferença entre a proteção legal e a capacidade operacional: "Existe uma diferença significativa entre a proteção prevista na legislação e a capacidade operacional do Estado para monitorar territórios tão extensos e de difícil acesso. O desafio envolve recursos humanos, logística, tecnologia, orçamento e presença institucional permanente", completou.

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