O inverno começou às 5h24 deste domingo (21) na Serra de Santa Catarina, trazendo a expectativa de mais chuva e episódios mais curtos de frio devido à influência do El Niño. A região, conhecida por registrar as menores temperaturas do Brasil, chegou a mínima de -10,4°C em 2025, mas esse recorde pode não se repetir nesta estação por causa da maior variação térmica.
Frio na Serra: altitude e sistemas polares
O frio intenso da Serra é consequência das altitudes elevadas, que ultrapassam 1.400 metros, e da influência de sistemas de origem polar, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Dados do órgão apontam São Joaquim como a cidade com a menor temperatura média do Brasil, com 13,5°C. Em 1957, uma nevasca histórica deixou o município de 25 mil moradores isolado por semanas. Já em Urupema, a Capital Nacional do Frio, os moradores estão acostumados com mínimas negativas e uma rotina de até 50 geadas por ano.
El Niño: mais chuva e eventos extremos
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento igual ou superior a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico, afetando o clima global. Esse fenômeno aumenta a chance de chuvas acima da média e eventos extremos. Em 2023, quando o El Niño influenciou o tempo no Brasil, Santa Catarina registrou ao menos nove tornados com rajadas de vento de até 120 km/h, deixando um rastro de destruição em várias áreas do estado.
Previsão para o inverno na Serra
Para o meteorologista da Defesa Civil catarinense, Caio Guerra, mesmo com o El Niño, o inverno em Santa Catarina ainda terá a atuação de massas de ar polar que trarão frio para a Serra até o fim da estação. A diferença, explica o especialista, é que os eventos serão menos frequentes e menos duradouros em comparação aos últimos invernos. "Podemos ter temperaturas bastante baixas na Serra durante o inverno. No entanto, ainda não é possível apontar com confiança quais serão os valores mínimos que poderão ser registrados. Vale mencionar que o inverno do ano passado foi mais frio do que o normal", afirma Guerra.
Em relação às chuvas acima do normal, Guerra destaca que isso não indica pancadas intensas, mas sim uma maior frequência de eventos de chuva ao longo da estação. "Os impactos mais significativos do El Niño sobre as chuvas no Sul do Brasil costumam ser observados durante a primavera, período em que a climatologia já apresenta chuvas frequentes. Com a intensificação desses sistemas, são esperados impactos mais significativos", diz.
Prefeituras se preparam para o inverno com El Niño
São Joaquim, com 25 mil moradores e um dos principais pontos turísticos da Serra, espera um inverno com atenção redobrada por causa da chuva acima da média decorrente do El Niño. O município intensificou ações preventivas com emissão de avisos e alertas, além de ampliar a limpeza de rios e contenções em áreas de risco. "Na questão da Assistência Social, se for necessário, haverá abrigo para pessoas em situação de rua, ou caso de alagamento em áreas críticas, que a prefeitura já solicitou a licença ambiental para desassoreamento de rios que cortam o perímetro urbano", afirmou a prefeitura em nota.
Urupema, com cerca de 2,6 mil moradores, também iniciou a limpeza de rios e córregos que cortam a cidade e trechos do interior próximos a residências. A administração municipal afirma que a expectativa para a estação é positiva por conta do turismo, mas admite que em períodos de maior chuva ou eventos climáticos severos pode haver redução de visitantes. "Muitas pessoas optam por adiar viagens ou deslocamentos nessas condições. No entanto, a expectativa geral é de uma temporada de inverno bastante movimentada, fortalecendo o turismo local e contribuindo para a economia do município", informou a prefeitura.



