Minerais críticos: Brasil tem janela de 2 a 3 anos, alerta Itaú BBA
Minerais críticos: Brasil tem janela de 2 a 3 anos

O Brasil enfrenta uma janela de oportunidade de apenas 2 a 3 anos para se beneficiar da alta dos minerais críticos, segundo análise do Itaú BBA com base em relatório da S&P Global. Apesar de possuir a segunda maior reserva mundial de terras raras e já ter expressão no mercado de cobre, o país precisa superar desafios estruturais para não perder o bonde.

Janela curta e riscos geopolíticos

Para os analistas do Itaú BBA, a alta dos minerais críticos pode durar menos de dois anos, pois as políticas podem mudar de foco. A S&P Global destacou que os metais vêm sendo negociados mais como ações e ativos ligados à inteligência artificial do que como commodities físicas, refletindo um mercado cada vez mais guiado por fatores macroeconômicos e de posicionamento, em vez de apenas fundamentos, afirma o BBA.

Nesse sentido, os minerais críticos e estratégicos seriam menos influenciados por oferta e demanda, como é tradicional no mercado há décadas, para serem vulneráveis a movimentos geopolíticos, políticas industriais e posicionamento na cadeia de valor.

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China domina refino e processamento

A principal comparação é com a China, que tem liderança décadas à frente, além de ser detentora da maior reserva de terras raras do mundo. A China expande sua capacidade de refino de forma periódica desde o início dos anos 1990 e investe fortemente em formação de especialistas em mineração e metais (cerca de 5.000 ao ano). Para fins de comparação, os Estados Unidos formariam aproximadamente 300 especialistas no setor por ano.

A amplitude da dominância chinesa, que se estrutura em indústrias completas que abrangem energia solar, baterias, veículos elétricos e componentes de energia eólica, permanece incomparável. Segundo a S&P, replicar esse ecossistema levaria 20 a 30 anos, mesmo com esforço coordenado do Ocidente.

Desafios estruturais do Brasil

O Brasil dispõe de vantagem geológica significativa em minerais críticos, porém enfrenta desafios estruturais que limitam a captura dessa oportunidade, cuja janela pode se restringir aos próximos 2 a 3 anos. Apesar da existência de instrumentos como BNDES, FINEP, CoInvest e capital privado, o acesso ao financiamento ainda é restrito, especialmente para empresas de médio e pequeno porte, e o crédito bancário é mais limitado em comparação internacional.

O marco regulatório em discussão avança de forma ainda superficial, especialmente nos prazos de licenciamento. Para se posicionar de forma competitiva, o Brasil precisa acelerar investimentos e reformas em infraestrutura, regulação, financiamento e formação de mão de obra, sobretudo em um contexto global marcado pela concentração produtiva, como no caso das terras raras, amplamente dominadas pela China, que responde por cerca de 91% do refino e 94% da produção de ímãs permanentes, consolidando barreiras de entrada difíceis de replicar no curto e médio prazo.

Cobre: fundamentos sólidos, mas oferta restrita

A tese estrutural do cobre permanece sólida, impulsionada por fundamentos de longo prazo como a transição energética, a expansão das redes elétricas e o crescimento econômico global. No entanto, as dinâmicas de curto prazo se mostram mais complexas. O principal desequilíbrio da indústria concentra-se nos concentrados, e não nos produtos refinados, com um déficit que vem se ampliando desde o ano anterior e estoques em níveis historicamente baixos.

Embora a crescente demanda de data centers tenha ganhado relevância no debate recente sobre preços, sua participação projetada é relativamente limitada — cerca de 2% a 3% da demanda total até 2040 —, sendo insuficiente, isoladamente, para explicar o comportamento estrutural do mercado.

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Do lado da oferta, o setor enfrenta restrições significativas que reforçam o cenário de aperto no mercado global. O tempo médio de desenvolvimento de novas minas, estimado em 17,8 anos, impõe um atraso estrutural na resposta à crescente demanda. Além disso, o investimento em mineração entre 2025 e 2027 deve ser aproximadamente cinco vezes menor do que os aportes destinados à inteligência artificial e aos hyperscalers, evidenciando uma competição desfavorável por capital. Nesse contexto, projeta-se que a demanda global por cobre cresça de 28,4 milhões para 42,3 milhões de toneladas entre 2025 e 2040, com um possível déficit de cerca de 10 milhões de toneladas, apesar do atual superávit no cobre refinado e dos riscos adicionais, como eventuais tarifas nos Estados Unidos.

Lítio: volatilidade e nova geografia de produção

No mercado de lítio, observa-se uma mudança de regime: de um mercado orientado pela demanda para um ambiente altamente sensível à oferta. Após atingir cerca de US$ 80 mil por tonelada em 2022, os preços recuaram para US$ 10 mil em 2024, antes de se recuperarem em 2026 para aproximadamente US$ 24 mil por tonelada. A desaceleração na adoção de veículos elétricos foi parcialmente compensada pela expansão do armazenamento de energia e pelo crescimento dos data centers.

Ainda assim, o equilíbrio permanece frágil, como demonstrado pela volatilidade: pequenas interrupções, como paralisações em minas no Zimbábue, são capazes de provocar variações de US$ 200 por tonelada em um único dia nos preços asiáticos. A expectativa é de déficit estrutural até 2030–2035, com a Argentina emergindo como novo polo relevante de produção, superando o Chile após a entrada em operação de novos projetos.