Ala feminina bolsonarista entre Michelle e Flávio: dilema político
Ala feminina bolsonarista entre Michelle e Flávio

A ala feminina do bolsonarismo vive um momento de equilíbrio delicado. De um lado, a necessidade de manter laços com Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama e figura influente entre as conservadoras. De outro, o apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, senador e filho de Jair Bolsonaro. A saída de Michelle da presidência do PL Mulher, ocorrida em junho de 2026, acirrou as tensões e forçou um reposicionamento político entre as lideranças femininas do grupo.

O dilema das bolsonaristas

Aliados de Flávio Bolsonaro buscam atrair lideranças formadas por Michelle, enquanto o núcleo da ex-primeira-dama tenta preservar sua influência. Segundo fontes próximas ao PL Mulher, a divisão não é explícita, mas há um esforço para evitar rupturas. “Ninguém quer perder o apoio de Michelle, mas também não podem ficar contra Flávio”, afirmou uma liderança do partido sob condição de anonimato.

Michelle Bolsonaro comandou o PL Mulher por dois anos, período em que consolidou uma base de apoiadoras fiéis. Sua saída foi motivada por divergências internas sobre o rumo da legenda, mas ela mantém diálogo com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro intensifica sua pré-campanha, com eventos no Nordeste e Sudeste.

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Estratégias de aproximação

Para não desagradar nenhum dos lados, algumas lideranças femininas adotam uma postura neutra. “Apoiamos Michelle, mas Flávio é o nome do partido para 2026”, disse uma deputada estadual que preferiu não se identificar. O PL Mulher, agora sob nova direção, tenta unificar o discurso, mas a sombra de Michelle ainda é forte.

Pesquisas internas mostram que Michelle tem aprovação de 68% entre as filiadas do PL, enquanto Flávio registra 55%. Esse cenário torna o equilíbrio ainda mais complexo. “Se Michelle lançar uma candidatura própria, pode rachar o eleitorado feminino”, alertou um analista político.

Impacto no cenário conservador

A indefinição reflete a disputa pelo espólio político de Jair Bolsonaro, inelegível até 2030. Enquanto Flávio busca se consolidar como herdeiro, Michelle tenta manter seu capital político. A ala feminina, por sua vez, precisa escolher entre lealdade pessoal e pragmatismo eleitoral. Até o momento, nenhuma ruptura oficial ocorreu, mas o clima é de expectativa.

O PL Mulher realiza convenções estaduais em agosto, que devem sinalizar o alinhamento das lideranças. “Será o termômetro dessa relação”, concluiu a fonte.

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