O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma nota oficial nesta terça-feira repudiando a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma audiência nos Estados Unidos sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. O senador, pré-candidato à Presidência, participou de uma reunião fechada organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), sem transmissão pública, na tentativa de minimizar os impactos das tarifas sobre sua campanha eleitoral.
Nota do governo acusa Flávio de traição e oportunismo eleitoral
Na nota assinada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o governo federal afirma que a ação de Flávio tem um “claro objetivo eleitoreiro” e que o senador “optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país”. O texto ainda destaca que, entre os 34 brasileiros inscritos para falar na audiência, “só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro”.
O governo também ressalta que divergir de quem está no comando do país é legítimo, mas “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria”. A nota enfatiza: “Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”.
Críticas à postura de Flávio e defesa do Pix
O governo ainda critica o senador por não ter negado que “a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil” e por não ter usado sua fala para “reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro”. Além disso, a nota aponta que Flávio propõe “subordinar o Pix aos interesses americanos”, enquanto as autoridades brasileiras negociam “ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil”.
Relações com o Banco Master e críticas à atuação nos EUA
O governo também afirma que o senador não esclareceu sua relação com pessoas do Banco Master. “Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai”, diz a nota.
A atuação de Flávio junto a autoridades americanas vem sendo usada por aliados de Lula para criticar o senador, afirmando que ele atenta contra a soberania brasileira. Nas últimas semanas, governistas reforçaram o mote de “Tariflávio” para associar o senador à implementação das tarifas.
Fala de Flávio na audiência
Em sua fala de cinco minutos na audiência, Flávio disse que o “momento” eleitoral é o “pior possível” para a implementação das taxas de 25% contra os produtos brasileiros e que elas “foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro”. O senador também defendeu o Pix, mecanismo de pagamento que virou alvo do governo americano.



