Seis gestoras disputam créditos da Raízen em recuperação extrajudicial
Gestoras disputam créditos da Raízen em recuperação

Seis gestoras – IG4, Geribá, Makalu, Mapa, Laplace e Vectis – apresentaram propostas de intenção de aquisição de créditos da Raízen, apurou a Coluna. A empresa reestrutura R$ 65 bilhões em dívidas por meio de um plano de recuperação extrajudicial, pulverizado entre cerca de 19 bancos e milhares de investidores dos mercados de dívida local e externo.

Detalhes do plano de reestruturação

O plano de recuperação extrajudicial prevê que 45% das dívidas serão trocadas por ações e o restante do crédito será pago com a emissão de novos títulos de dívida de longo prazo. Após a conversão, um grande número de credores ficará com 80% da Raízen. Entre os bancos com maior montante de dívida, a participação deve variar entre 2% e 3%.

O apelo das gestoras para comprar os créditos está no fato de que, com um número menor de acionistas, a companhia poderá executar sua reorganização operacional e financeira de modo mais eficiente.

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Estratégias das gestoras

Apenas a IG4 trouxe a hipótese de ficar com o controle e pediu explicitamente a assinatura de um acordo de exclusividade para seguir negociando. As demais apresentaram intenção de comprar créditos que garantam participação relevante no conselho de administração e influência nas decisões. Uma fonte afirmou que, para isso, seria necessária uma posição que assegurasse conversão para 45% das ações.

Com exceção da IG4, as gestoras querem evitar confronto com entraves do plano, que dá à Shell – sócia da Cosan na Raízen – a possibilidade de encerrar o direito de uso da marca a um investidor com mais de 25% de participação. Também está previsto que, caso um único investidor tenha o controle, será preciso realizar uma oferta de compra de ações (OPA). Uma fonte acrescentou que a IG4, se seguir adiante, pode negociar os termos do uso de marca com a Shell.

Propostas financeiras

As discussões ainda não chegaram aos termos financeiros. Basicamente todas apresentam propostas em que a dívida seria assumida, trocada pelas ações e os credores ressarcidos com a venda das participações no futuro, a um valor melhor do que o atual. É uma proposta semelhante ao que já foi feito na Braskem pela IG4 e na Casas Bahia pela Mapa Capital. Nesta quinta-feira, as ações da Raízen eram negociadas a R$ 0,38.

Makalu, disseram fontes, tem apresentado aos credores a ideia de que pode fazer uma boa gestão das usinas, segmento no qual tem experiência e é considerado o mais problemático no grupo. Geribá estaria olhando para os créditos relacionados às operações de combustíveis.

Procuradas, as gestoras não se pronunciaram.

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