Economist: Minas Gerais tem finanças 'em ruínas' e espelha desafios do Brasil
Economist: finanças de MG estão 'em ruínas' e espelham Brasil

A revista britânica 'The Economist' publicou uma reportagem nesta terça-feira (16) apontando que as finanças do estado de Minas Gerais estão 'em ruínas'. O texto destaca que o próximo governador mineiro terá que realizar cortes drásticos de gastos. A publicação analisa a situação política e econômica do estado, sugerindo que Minas pode servir como um 'espelho' para entender os rumos do Brasil.

Minas Gerais como termômetro eleitoral

O artigo ressalta que Minas Gerais é o segundo estado mais populoso do Brasil, com cerca de 21 milhões de habitantes, e possui uma diversidade geográfica e social que reflete o país como um todo. Por isso, desde a redemocratização, o estado tem sido decisivo nas eleições presidenciais. A revista reforça que nenhum candidato venceu a disputa pelo Palácio do Planalto desde 1989 sem também vencer em Minas Gerais.

Endividamento e cortes inevitáveis

O principal alerta da reportagem diz respeito às contas públicas estaduais. De acordo com a 'The Economist', o problema é causado principalmente pelo acúmulo de despesas com aposentadorias sem financiamento adequado. Além disso, o peso dos juros da dívida limita investimentos e gastos discricionários. Durante a gestão do ex-governador Romeu Zema (Novo), Minas não contraiu novas dívidas com o governo federal e registrou superávits primários desde 2021. Mesmo assim, o endividamento elevado continua sendo um obstáculo.

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João Gabriel Pio, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), afirmou à revista: 'É uma loucura assumir essa bagunça. Quem assumir não terá margem de manobra'. A conclusão da publicação é que qualquer candidato eleito no estado terá que promover cortes profundos, uma medida impopular que pode custar votos. A revista faz um paralelo com o cenário nacional, afirmando que o próximo presidente também enfrentará restrições fiscais semelhantes.

Infraestrutura e falta de investimento

A reportagem também aponta que as limitações fiscais impactam diretamente a infraestrutura e o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. As rodovias mineiras estão em más condições e concentram 13% dos acidentes de trânsito do país. Ao mesmo tempo, o estado responde por cerca de 40% da produção mineral brasileira, com destaque para minério de ferro, estanho, grafite e nióbio, além de concentrar terras raras no Sudoeste.

Economistas ouvidos pela publicação criticam o fato de o estado ainda exportar basicamente matéria-prima, sem agregar valor aos produtos. Marco Crocco, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirmou: 'Não precisamos ser condenados à pobreza para sempre. Não podemos passar da extração de lítio à fabricação de baterias em um dia. Mas precisamos melhorar nossa educação e infraestrutura, investir em pesquisa e desenvolvimento e reduzir os riscos do financiamento privado'.

Disputa política intensa

Na política, o texto descreve Minas como o principal campo de batalha eleitoral do país. O presidente Lula (PT) tem dado atenção especial ao estado, com diversas visitas recentes. Nomes da direita também disputam espaço, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que ganhou destaque nas redes sociais. Outro nome citado é o de Romeu Zema, que deixou o governo estadual para disputar a Presidência da República e defende uma agenda liberal.

Para a revista, o cenário aponta para uma direita fortalecida após uma eventual saída de Lula da política, enquanto o Partido dos Trabalhadores pode perder força nos próximos anos.

Espelho do Brasil

A análise da 'The Economist' conclui que Minas Gerais reúne, em um único estado, os principais desafios do Brasil: dívida alta, baixo investimento, dependência de commodities e polarização política. Para a revista, o que acontecer em Minas pode antecipar o futuro do país — tanto na economia quanto na disputa pelo poder.

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