Criança de 7 anos sofre ofensas racistas em escola particular no Gama
Criança de 7 anos sofre ofensas racistas em escola no Gama

Uma criança de 7 anos foi vítima de ofensas racistas dentro de uma escola particular no Gama, Distrito Federal. De acordo com a família, as agressões partiram de outras crianças e ocorreram em dois momentos distintos: o primeiro na porta do banheiro e o segundo dentro da sala de aula. Após os episódios, o aluno deixou de frequentar as aulas e foi transferido para outra unidade de ensino.

Mãe relata episódios de racismo

A mãe, que preferiu não se identificar para preservar a imagem da criança, contou à TV Globo que o filho chegou em casa chorando no último dia 1º. Questionado, o menino de 7 anos disse que, ao sair do banheiro, ouviu a frase: "Sai da frente, seu macaco." A família afirma que o aluno procurou a professora, mas a escola não repassou a denúncia aos responsáveis. Dez dias depois, um novo episódio de ofensa aconteceu dentro da sala de aula.

A mãe cobrou providências da direção, mas considera que as medidas adotadas não foram suficientes. "A escola deveria ter chamado os pais e trabalhado isso pedagogicamente. Não é normal, no século em que vivemos, uma criança de 7 anos ter que sair da escola por sofrer ofensas", afirmou. Após o segundo caso, a família registrou ocorrência na delegacia. O menino foi transferido para outra escola particular da região.

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Segundo a mãe, a criança, que antes era comunicativa e gostava de brincar, passou a apresentar mudanças de comportamento. "Hoje ele não quer sair, não quer ver ninguém, não quer se alimentar. Está chorando a todo momento", contou.

O que diz a escola

A direção da escola Nossa Senhora Aparecida informou que chamou os responsáveis pelos alunos envolvidos para conversar nos dois episódios e realizou atividades pedagógicas com os estudantes sobre o tema do racismo.

Recentemente, o Ministério Público (MP) recomendou que escolas da rede pública adotem protocolos antirracistas, com orientações para identificar, registrar e encaminhar casos dentro das unidades de ensino. Especialistas defendem que a medida também seja implementada nas escolas particulares.

A neuropsicopedagoga Mara Rúbia Rodrigues da Cruz afirma que o enfrentamento ao racismo deve fazer parte da rotina escolar. "Não é uma questão pontual. Precisa ser trabalhada durante todo o ano, dentro do projeto pedagógico, com formação dos professores e ações contínuas", explica. A especialista também alerta para o papel das famílias na identificação dos sinais. Segundo ela, nem sempre a criança consegue reconhecer ou nomear a violência sofrida, o que pode dificultar o enfrentamento do problema.

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