Sonho Americano perde força às vésperas dos 250 anos dos EUA, apontam pesquisas
Sonho Americano perde força antes dos 250 anos dos EUA

Às vésperas do aniversário de 250 anos dos Estados Unidos, pesquisas indicam que o Sonho Americano, ideal de que qualquer pessoa pode construir um futuro melhor no país, está perdendo força. Uma pesquisa da Associated Press-NORC mostrou que apenas um terço da população acredita que ele ainda existe. Estudo do Pew Research Center concluiu que a maioria dos americanos considera que os melhores dias do país já ficaram para trás.

Refugiado somali vê o sonho vacilar

Abdi Nor Iftin, 41 anos, refugiado somali que chegou aos EUA em 2013 pelo programa de vistos de diversidade, perdeu o emprego e o plano de saúde neste ano. "Eu sinto que o sonho americano continua vivo, mas está longe de estar bem", disse à BBC. Iftin, que aprendeu inglês com filmes de Hollywood e era chamado de "Abdi América", hoje enfrenta dificuldades econômicas no Maine.

Hollywood perde talentos para o Canadá

Luke Mullen, ator de 24 anos da Califórnia, planeja se mudar para o Canadá devido à falta de oportunidades em Hollywood, que simboliza o Sonho Americano. "Meu processo para me tornar cidadão canadense está diretamente ligado ao fato de que não consigo produzir aqui projetos nos quais trabalho há anos", afirmou. Vancouver oferece incentivos fiscais que atraem produções, enquanto Hollywood corta custos.

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Raízes históricas e transformação do sonho

O conceito de Sonho Americano remonta à fundação do país, mas a expressão popularizou-se com o livro "A Epopeia Americana" (1931), de James Truslow Adams, que o definiu como "o sonho de uma ordem social em que cada homem e cada mulher possa desenvolver plenamente as capacidades com que nasceu". Cyril Ghosh, autor de "The Politics of the American Dream", afirma: "Sempre se tratou de viver melhor do que antes. Não é sobre bens materiais, apenas. É também sobre segurança."

Imigrantes mantêm otimismo, mas fluxo diminui

Pesquisadores apontam que imigrantes de primeira geração, como Iftin, são mais otimistas. Mark Hugo Lopez, do Pew Research Center, afirma: "Em sua maioria, os imigrantes têm maior probabilidade de dizer que estão realizando o sonho americano ou que já o realizaram." No entanto, o governo Trump restringiu vistos legais, incluindo o programa de diversidade, e o número de americanos deixando o país atingiu recordes, com aumento de pedidos de cidadania britânica e migração para a União Europeia.

Mobilidade social estagnada desde os anos 1970

Pesquisa do economista Raj Chetty, de Harvard, constatou que entre os nascidos em 1940, 90% ganhavam mais que os pais; entre os nascidos nos anos 1980, apenas metade supera a geração anterior. Mark Rank, coautor de "Chasing the American Dream", afirma: "Ficou muito mais difícil alcançar o sonho americano. A noção de que cada geração teria uma situação econômica melhor do que a anterior permaneceu verdadeira até mais ou menos a década de 1970." A crise de 2008 agravou a situação, tornando casa própria e estabilidade no emprego mais difíceis.

Divisão partidária e racial sobre o sonho

Republicanos e americanos mais velhos são mais propensos a acreditar no Sonho Americano, enquanto jovens são céticos: apenas um em cada cinco adultos entre 18 e 29 anos acredita que ele ainda é possível. Reniqua Allen-Lamphere, pesquisadora da visão negra sobre o sonho, descreve o conceito como um dos "mitos mais duradouros" dos EUA. Martin Luther King Jr. disse em 1960: "Os EUA são, em essência, um sonho que ainda não se realizou. A escravidão e a segregação têm sido paradoxos profundos."

Apesar do pessimismo, muitos ainda acreditam

Pesquisa do jornal The Times mostrou que 61% dos entrevistados ainda acreditam no ideal. Brandon Patty, 44 anos, escriturário na Flórida e comandante da Reserva da Marinha, afirma: "As oportunidades são ilimitadas. Você pode partir do nada e encontrar seu caminho." Gonzalo Schwarz, do The Archbridge Institute, alerta: "Se nos concentrarmos apenas nos aspectos negativos, corremos o risco de transformar seu declínio em uma profecia autorrealizável." Para Iftin, apesar dos obstáculos, ainda escolheria os EUA: "Acho que foi o meu primeiro amor."

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