A autoridade eleitoral do Peru concluiu a apuração de 100% dos votos do segundo turno das eleições presidenciais nesta segunda-feira, após semanas de análise dos votos contestados. A contagem final mostra a conservadora Keiko Fujimori com 50,135% dos votos, ou 9.223.396 votos, contra 49,865% de Roberto Sánchez, ou 9.173.755 votos.
Fujimori comemora e pede prudência
Fujimori comemorou o fim da demorada contagem de votos e, em uma postagem nas redes sociais, afirmou que “aguardaria o anúncio do Júri Eleitoral Nacional com grande humildade, prudência e responsabilidade”. Ela também declarou: “Estamos cada vez mais perto de trilhar um caminho de ordem e esperança para todos os peruanos”, no X.
Contexto político e reações
Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori — que cumpriu 16 anos de prisão por violações dos direitos humanos –, já havia alcançado uma vantagem insuperável na semana passada, depois que as autoridades analisaram cédulas contestadas do segundo turno de 7 de junho. A retórica de Sánchez contestando os resultados se intensificou, com o senador de esquerda afirmando que não reconhecerá um governo de Fujimori e fazendo acusações, sem provas, de fraude eleitoral em favor dela.
Sánchez liderou marchas em Lima para “defender o voto” e convocou mais protestos nos próximos dias, o que pode prolongar a crise política do país, que já levou a uma sucessão contínua de presidentes na última década. Fujimori, que deve assumir o poder em 28 de julho, será a décima presidente do Peru desde 2016.
Próximos passos e desafios
O Júri Nacional Eleitoral (JNE) do Peru deve anunciar oficialmente o vencedor em 3 de julho, e Sánchez afirmou que entrará com recurso judicial para impedir a proclamação oficial. Fujimori, de 51 anos, disse na semana passada que pretende unir um país “dividido em dois” e se comprometeu a reduzir a criminalidade e combater a desigualdade. A vitória de Fujimori ocorre após três tentativas frustradas de chegar à Presidência, consolidando uma guinada à direita na América Latina e marcando o retorno de uma das dinastias políticas mais polarizadoras do Peru.



