Três estudantes de medicina da Universidade São Judas Tadeu, em Cubatão (SP), foram selecionadas para apresentar uma pesquisa na 26ª Conferência Internacional sobre Aids, que ocorrerá entre 26 e 31 de julho no Rio de Janeiro. O projeto propõe o uso de exercícios físicos como tratamento complementar para pessoas que vivem com HIV, sem substituir a terapia antirretroviral.
Projeto surgiu em sala de aula
As estudantes Júlia Costa Gusmão, 20 anos, Maria Luiza Junqueira de Lima, 21, e Priscilla Rodrigues Gonçalves, 23, receberam o convite da Sociedade Internacional de Aids (IAS), organizadora do evento. A conferência, considerada o maior encontro global sobre HIV e Aids, será realizada pela primeira vez na América do Sul.
Segundo Maria Luiza, a ideia nasceu de uma atividade proposta pela professora, na qual os alunos deveriam criar projetos para inscrever na conferência. “Vimos que a maioria pensou no diagnóstico, consequências e carga viral. Então, decidimos vir com um olhar diferente, pensando no exercício físico como uma estratégia para complementar o cuidado e para abranger a pessoa como um todo, e não pensar somente na doença”, explicou a jovem.
Exercício como complemento ao tratamento
A proposta utiliza o exercício físico como tratamento complementar não medicamentoso. Maria Luiza destacou que a prática não substitui os antirretrovirais, mas ajuda a reduzir os impactos da doença. O HIV causa inflamação crônica, e a atividade física pode reduzir essa complicação, prevenindo alterações musculares, ósseas e metabólicas, além de melhorar a saúde mental e a qualidade de vida.
O trabalho foi baseado em literatura científica sobre exercício e HIV, analisando impactos em qualidade de vida, composição corporal, saúde óssea, função imunológica e bem-estar psicológico. As estudantes também organizaram rodas de conversa e intervenções educativas.
Convite inesperado e próximos passos
“Nós ficamos sabendo do convite por e-mail. Foi algo inesperado, mas ficamos muito felizes, realizadas e orgulhosas do projeto ter recebido a importância que ele merece. Para gente, o mais importante é saber que podemos fazer uma pequena diferença nas vidas dessas pessoas e isso já é muito gratificante”, disse Maria Luiza.
Durante a conferência, as estudantes apresentarão o trabalho na Tenda Paulo Freire. Em 6 de agosto, a proposta será discutida na universidade em Cubatão. Como o convite foi inesperado, elas buscam auxílio para custear transporte e hospedagem no Rio de Janeiro. “A gente quer que esse trabalho não fique só no papel, mas que possa abrir espaço para conversas, ações e projetos que mostrem a importância do exercício físico na qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV”, finalizou Maria Luiza.



