O Parlamento Europeu discute uma resolução que pode restringir o uso de biodiesel feito à base de soja para cumprir metas de descarbonização do bloco. A medida preocupa o Mercosul, que estima um impacto de € 8,5 bilhões nas exportações do grão e seus derivados. O governo brasileiro teme que a decisão abra brecha para limitar também o etanol.
Proposta europeia e seus objetivos
A resolução em análise visa excluir o biodiesel de soja dos combustíveis considerados sustentáveis para atingir as metas climáticas da União Europeia. A justificativa é que a produção de soja está associada ao desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado. O bloco pretende priorizar biocombustíveis de segunda geração, feitos a partir de resíduos ou matérias-primas que não competem com a produção de alimentos.
Impacto econômico para o Mercosul
Segundo diplomatas do Mercosul, a restrição pode afetar diretamente exportações no valor de € 8,5 bilhões. A soja é um dos principais produtos da pauta exportadora do bloco, e o biodiesel representa uma parcela significativa do mercado. O Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja, seria o mais atingido. Além disso, há o receio de que a medida sirva de precedente para futuras restrições ao etanol de cana-de-açúcar, outro biocombustível relevante para o país.
Reações e negociações em curso
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já iniciou contatos com representantes da UE para buscar um diálogo e evitar sanções. “Estamos acompanhando de perto as discussões e defendendo que a produção de soja no Brasil é sustentável e não contribui para o desmatamento ilegal”, afirmou um porta-voz do ministério. O setor privado também se mobiliza, com associações de produtores e indústrias buscando apresentar dados que comprovem a baixa emissão de carbono da soja brasileira.
Contexto de descarbonização e comércio
A União Europeia tem adotado medidas cada vez mais rigorosas para reduzir emissões de gases de efeito estufa, incluindo a regulamentação de biocombustíveis. No entanto, críticos apontam que as restrições podem configurar barreiras comerciais disfarçadas. O Mercosul argumenta que a produção de soja na região segue padrões ambientais e que o biodiesel de soja tem pegada de carbono menor do que combustíveis fósseis. As negociações devem se intensificar nos próximos meses, com possíveis impactos nas relações comerciais entre os blocos.



