EUA iniciam audiência sobre tarifas a 60 países; Brasil busca diálogo
EUA iniciam audiência sobre tarifas a 60 países

Começa nesta terça-feira (7) em Washington a audiência de três dias sobre a proposta do governo americano de impor tarifas a 60 países, incluindo o Brasil, sob a acusação de uso de trabalho forçado. O evento reúne diplomatas, representantes de lobbies empresariais e especialistas que vão apresentar argumentos a favor e contra a medida.

Detalhes da audiência

Os painéis discutirão a sobretaxa proposta pelo governo de Donald Trump, que pode chegar a 12,5% sobre produtos importados de países considerados envolvidos em práticas de trabalho forçado. A audiência ocorre em um momento de tensão comercial global, com os EUA buscando proteger sua indústria doméstica.

Segundo fontes diplomáticas, cerca de 60 países estão na lista de possíveis alvos, incluindo Brasil, China, Índia e várias nações do Sudeste Asiático. O governo americano alega que essas nações permitem ou não combatem adequadamente o trabalho forçado em suas cadeias produtivas.

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Posição do Brasil

O Brasil, representado por diplomatas e pelo deputado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deve argumentar que as medidas são arbitrárias e podem prejudicar o comércio bilateral. Flávio Bolsonaro planeja pedir ao governo Trump que evite novas tarifas antes das eleições de outubro, conforme apurado pela reportagem.

“A imposição de tarifas unilaterais fere os princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC) e pode gerar retaliações”, afirmou um diplomata brasileiro sob condição de anonimato. O Brasil é um dos maiores parceiros comerciais dos EUA na América Latina, com exportações que somam bilhões de dólares anualmente.

Impactos econômicos

Especialistas alertam que tarifas de 12,5% podem encarecer produtos brasileiros como aço, alumínio, carne e suco de laranja, afetando a competitividade no mercado americano. Por outro lado, setores industriais dos EUA pressionam por proteção contra a concorrência estrangeira.

A audiência deve ouvir depoimentos de representantes de empresas multinacionais, sindicatos e organizações de direitos humanos. O resultado das discussões pode influenciar a decisão final do governo Trump sobre a aplicação das tarifas.

Contexto político

A iniciativa ocorre em meio à campanha eleitoral nos EUA, onde Trump busca reforçar sua base com promessas de proteção ao emprego americano. Críticos apontam que a medida pode escalar para uma guerra comercial, prejudicando a economia global.

O governo brasileiro, por sua vez, tenta evitar que as tarifas sejam implementadas antes das eleições de outubro, quando Bolsonaro busca a reeleição. A audiência de três dias termina na quinta-feira (9), mas não há prazo definido para a decisão final.

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