Oito dias após os terremotos que atingiram a Venezuela, um vigilante de 44 anos foi resgatado com vida dos escombros de um estacionamento em Caracas. Hernan Alberto Gil estava soterrado sob 9 metros de concreto e detritos desde o dia 24, quando os tremores ocorreram. O resgate, realizado por bombeiros de sete países, ocorreu na segunda-feira (29) e foi acompanhado ao vivo pela GloboNews.
Resgate heroico após 65 horas de trabalho
Os socorristas conseguiram localizar Hernan utilizando equipamentos de detecção acústica e uma câmera de fibra óptica. Durante a operação, que durou mais de 65 horas, a equipe manteve contato visual e verbal com a vítima por meio de um monitor. O médico Luis Rodrigues explicou que os socorristas hidrataram e alimentaram Hernan continuamente até que pudesse ser retirado em segurança. Ao ser questionado sobre o sentimento ao salvar uma vida, um dos resgatistas afirmou: "Não há nada melhor que esse sentimento".
Número de mortos e desaparecidos ainda é incerto
O governo venezuelano, liderado por Delcy Rodríguez, ainda não divulgou um número oficial de vítimas desaparecidas. Até quinta-feira (2), o total de mortos permanecia em 2.295, com cerca de 11 mil feridos. A ONU, por sua vez, estima que 50 mil pessoas estejam desaparecidas. A oposição abriu uma página para registro de desaparecidos, que já contava com 41 mil notificações. O repórter Álvaro Pereira Júnior, da Globo, destacou: "Tudo que se refere à estatística é uma incógnita aqui na Venezuela, porque o governo tem uma certa aversão a divulgar números oficiais".
Regiões mais afetadas e situação em Caracas
Em Caracas, o bairro de Los Palos Grandes foi um dos mais atingidos, com a queda de uma torre dupla do edifício Petunia (21 e 15 andares), onde se estimam cerca de 30 mortes. No entanto, a região mais devastada fica a 40 minutos de carro da capital: La Guaira. Enquanto isso, prédios vizinhos à torre colapsada continuam habitados e o comércio local funciona normalmente.
Ajuda internacional e obstruções governamentais
Voluntários e socorristas dos Estados Unidos, Brasil e outros 25 países estão na Venezuela prestando assistência humanitária. Contudo, dezenas de ONGs denunciaram obstruções por parte do governo, incluindo exigência de propinas por forças de segurança e cerco militar com estradas bloqueadas. A ONG alemã ISAR cancelou sua missão por ter a entrada negada, e o grupo de resgate do Chile relatou interrupções frequentes para verificação de documentos, sob suspeita de espionagem. O governo venezuelano justificou as medidas como tentativas de impor ordem e manter as áreas desobstruídas para as equipes de emergência, afirmando que a presença de pessoas não qualificadas pode dificultar os trabalhos e aumentar riscos de acidentes.



