O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, lançou nesta quarta-feira (1º) no Acre o painel de oportunidades do Acordo Mercosul-União Europeia na Amazônia. A plataforma digital, desenvolvida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), reúne dados do comércio entre os dois blocos e permite identificar oportunidades criadas pelo acordo comercial.
Ferramenta de inteligência comercial
Segundo o ministério, a tecnologia simplifica dados de inteligência comercial e possibilita identificar, por Unidade da Federação, quais produtos regionais têm potencial imediato de exportação e redução tarifária para atender a mais de 700 milhões de consumidores europeus. Produtores rurais, cooperativas, empresários e lideranças locais participaram do evento e conheceram o funcionamento da ferramenta.
O ministro destacou o potencial da bioeconomia amazônica para ampliar as exportações brasileiras e afirmou que o acordo comercial deve abrir novas oportunidades para empresas da região, especialmente aquelas ligadas à produção sustentável. "É um dispositivo que estabelece que haverá sempre preferência para produtos que tenham sustentabilidade. Toda a bioindústria e a indústria associada à bioeconomia, que é muito forte em toda a Amazônia Legal, terá acesso privilegiado ao mercado europeu", afirmou.
Acordo histórico após 26 anos de negociações
O acordo, concluído após 26 anos de negociações, prevê benefícios para produtos que atendam a critérios de sustentabilidade. O ministro também comentou sobre os benefícios do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo ele, a redução gradual das tarifas deve ampliar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado europeu. "O acordo beneficia mais o Mercosul do que a União Europeia. Cerca de 96% dos produtos que exportamos terão tarifa zero, enquanto 92% dos produtos europeus terão esse benefício para entrar no nosso mercado. Além disso, nossa redução tarifária ocorrerá de forma gradual, protegendo a indústria brasileira", detalhou.
O ministro informou ainda que, desde a entrada em vigor das primeiras etapas do acordo, em maio deste ano, 543 produtos brasileiros já passaram a contar com tarifa zerada para acesso ao mercado europeu.
Expansão da base exportadora
Para ampliar a participação de pequenos e médios empreendedores no comércio internacional, o ministro destacou o Programa de Qualificação para Exportação (Peiex), desenvolvido pela ApexBrasil e disponível no Acre. "O desafio do Brasil é justamente expandir a base exportadora para incluir, sobretudo, pequenas e médias empresas, empresas lideradas por mulheres e negócios ligados à bioeconomia. O Peiex existe aqui no Acre para orientar e preparar novos exportadores", explicou.
Desempenho recorde do Acre
O Acre vive um momento favorável para ampliar sua presença no mercado internacional. "Nunca exportamos tanto quanto neste ano. Já estamos próximos de US$ 50 milhões de dólares em exportações, um resultado recorde e cerca de 3,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Nossa expectativa é encerrar o ano com números ainda maiores", disse o ministro. O crescimento do estado é resultado de ações voltadas à abertura de mercados e ao fortalecimento das cadeias produtivas locais, especialmente as relacionadas à bioeconomia.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que as exportações acreanas dobraram nos últimos anos. "Em 2022, o Acre exportava menos de US$ 50 milhões. No ano passado, esse valor chegou a US$ 100 milhões e, neste ano, o estado já soma US$ 54 milhões em exportações", destacou. Segundo Müller, a localização estratégica do Acre e o acordo Mercosul-União Europeia ampliam as oportunidades para produtos como açaí, castanha, farinhas, óleos essenciais, café, cacau e proteínas de origem animal. "Os europeus querem cada vez mais os produtos da sociobiodiversidade e da floresta. O Acre está muito bem posicionado para atender essa demanda", afirmou.
Redução de entraves burocráticos
O ministro também destacou a necessidade de reduzir entraves burocráticos que dificultam as exportações. O governo federal trabalha para simplificar processos, mas ressaltou a importância da participação do setor produtivo. "Melhorar o ambiente de negócios e reduzir a burocracia é um trabalho permanente. Precisamos que os empresários apontem onde estão as dificuldades, para que possamos dialogar com nossos parceiros internacionais e buscar soluções que facilitem as exportações", defendeu.



