A Rússia lançou um bombardeio de grande porte contra a capital ucraniana, Kiev, na noite desta terça-feira, em retaliação a uma série de ataques ucranianos realizados em território russo nas últimas 48 horas. Explosões também foram registradas em Kharkiv, no norte da Ucrânia. O presidente Volodymyr Zelensky havia alertado a população horas antes sobre a iminência de um ataque de grande escala, pedindo que todos buscassem abrigo.
Ataque com drones e mísseis
De acordo com as Forças Armadas da Ucrânia, o ataque russo envolveu o lançamento de dezenas de drones Shahed, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos. As defesas aéreas ucranianas conseguiram abater a maioria dos projéteis, mas alguns atingiram alvos civis. Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas em Kiev, segundo o serviço de emergência local. Edifícios residenciais e comerciais foram danificados, e houve relatos de incêndios em três bairros da capital.
O governador de Kiev, Oleksandr Pavliuk, afirmou que este foi o maior bombardeio contra a cidade desde o início da primavera. "Estamos enfrentando uma noite difícil. As equipes de resgate estão trabalhando nos locais atingidos", declarou em comunicado oficial.
Contexto dos ataques ucranianos
Nas últimas 48 horas, a Ucrânia intensificou ataques contra alvos militares e de infraestrutura na Rússia, incluindo depósitos de combustível e bases aéreas nas regiões de Belgorod, Kursk e Rostov. O Ministério da Defesa russo confirmou que pelo menos três drones ucranianos foram abatidos sobre a região de Moscou, e que um ataque com mísseis atingiu uma refinaria de petróleo em Krasnodar.
Analistas militares apontam que a ofensiva ucraniana visa desgastar a logística russa antes de uma esperada contraofensiva no sul do país. O presidente Zelensky, em discurso na noite de segunda-feira, disse que a Ucrânia está "preparando surpresas" para as forças russas.
Reação internacional
A União Europeia condenou o bombardeio russo a Kiev, classificando-o como "ataque indiscriminado contra civis". A porta-voz da Comissão Europeia, Nabila Massrali, afirmou que "a Rússia continua a violar o direito internacional humanitário" e prometeu novas sanções. Os Estados Unidos também se manifestaram, com o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, declarando que "os ataques russos a áreas civis são inaceitáveis" e que Washington continuará apoiando a Ucrânia com sistemas de defesa aérea.
Enquanto isso, a população de Kiev passou a noite em abrigos subterrâneos. As autoridades locais alertam que novos ataques podem ocorrer nas próximas horas e pedem que os moradores permaneçam em locais seguros.



