O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, intensificou a articulação política para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que concede autonomia financeira à instituição. Na manhã desta terça-feira, ele e três diretores do BC se reuniram com o relator do projeto, senador Plínio Valério (PSDB-AM).
Busca por apoio no Senado e no governo
Segundo Valério, Campos Neto afirmou que também procurará os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Dani Alcolumbre (União Brasil-AP), para tratar da PEC. Com isso, espera fazer a ponte para dialogar com o governo Lula sobre a proposta, já que nenhum representante do Executivo procurou o relator até o momento.
Vantagens da autonomia financeira
O relator disse que Campos Neto apresentou as vantagens da autonomia orçamentária, que permitirá ao BC avançar em seu processo de modernização. Ele mencionou novidades no Pix, como a implantação de operações via cartão de crédito. Campos Neto também buscou desfazer uma “leitura equivocada” de que a autonomia inflaria salários e cargos no banco. Ele lamentou o número reduzido de trabalhadores para operar o Pix: apenas 40 pessoas, enquanto a plataforma necessitaria de 80 técnicos.
Parecer do relator e próximos passos
Plínio Valério informou que em seu parecer manterá as atuais atribuições do Conselho Monetário Nacional (CMN), garantirá a estabilidade dos servidores e deixará a fiscalização da autarquia com o Senado. Por sugestão de Pacheco, o relator deve se reunir com dois ex-presidentes do BC — Armínio Fraga (1999-2002) e Henrique Meirelles (2003-2010) — para entender melhor as vantagens da autonomia financeira da instituição.



