O presidente da China, Xi Jinping, chegou à Coreia do Norte nesta segunda-feira (8) para uma visita oficial ao líder norte-coreano Kim Jong-Un, defendendo uma parceria mais forte entre os dois países. A visita ocorre em um contexto de intensa atividade diplomática chinesa, após Xi receber recentemente em Pequim os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin.
Visitas de Trump e Putin a Pequim
No mês passado, Xi Jinping recebeu Donald Trump e Vladimir Putin em Pequim com diferenças de apenas alguns dias. Embora as visitas tenham sido marcadas por cerimônias formais na Praça Tiananmen, saudações de crianças e desfiles militares, elas revelaram contrastes significativos nas relações da China com cada país.
Durante a visita de Trump, a China buscou estabilizar os laços bilaterais, enquanto com Putin o objetivo foi aprofundar a parceria estratégica. Xi enfatizou a hospitalidade cerimonial com Trump, incluindo um raro passeio por Zhongnanhai, o antigo jardim imperial que hoje abriga a sede do governo chinês.
“Xi sabe que Trump valoriza ser tratado como um VIP e respeitado diante das câmeras”, disse George Chen, sócio da área de Grande China do The Asia Group. Já com Putin, Xi focou na substância, reafirmando o tratado de amizade, assinando novos acordos energéticos e reforçando a parceria 'sem limites'.
Duração e quantidade de visitas
Trump permaneceu na China por três dias, enquanto Putin ficou dois. Ambos foram recebidos com guardas cerimoniais, banda militar e crianças acenando bandeiras. Realizaram reuniões a portas fechadas com Xi no Grande Salão do Povo. Trump também fez um tour privado pelo Templo do Céu e caminhou pelos jardins imperiais de Zhongnanhai. Putin passou a maior parte do tempo com Xi no Grande Salão do Povo, visitando uma exposição de fotos sobre as relações China-Rússia e tomando chá.
A visita de Trump foi a segunda dele à China como presidente; para Putin, foi a 25ª.
Mensagens divergentes
Com Trump, Xi focou na necessidade de uma relação estável após meses de tensões e guerra comercial, instando o presidente americano a ver a China como parceira. Ambos concordaram em trabalhar por uma “relação construtiva de estabilidade estratégica”. Com Putin, Xi buscou aprofundar uma parceria de longa data, importante estratégica e economicamente. Putin destacou o setor energético como “força motriz” da relação.
Acordos firmados
China e Rússia firmaram mais de 40 acordos de cooperação em áreas como comércio, tecnologia e mídia, além de uma declaração conjunta descrevendo os dois países como “importantes centros de poder em um mundo multipolar”. Já Trump e Xi não assinaram declaração conjunta nem supervisionaram acordos publicamente. Após a partida de Trump, Washington anunciou que a China concordou em comprar produtos agrícolas americanos no valor anualizado de US$ 17 bilhões e adquirir 200 jatos Boeing.
“A China e a Rússia firmaram mais acordos, e com os EUA, quais são os acordos? Nem isso está muito claro”, disse Claus Soong, analista do Instituto Mercator para Estudos da China. Lyle Morris, pesquisador sênior do Asia Society Policy Institute, destacou que a maior surpresa foi a ausência de um acordo formal para o gasoduto Força da Sibéria 2, que poderia transportar gás russo para a China via Mongólia, considerado um “grande revés para a Rússia”.
Posições sobre Taiwan
Enquanto a Rússia apoia a posição chinesa sobre Taiwan, os EUA mantêm ambiguidade estratégica e são o principal fornecedor informal de armas para a ilha. Xi deixou claro a Trump que Taiwan é a questão mais importante na relação bilateral, alertando que o mau gerenciamento poderia levar a confronto. Trump não mencionou Taiwan publicamente, mas, ao retornar, descreveu a venda de armas para Taiwan como uma “ótima moeda de troca”. Com Putin, não houve discordância: a declaração conjunta reiterou a oposição russa à independência de Taiwan e apoio à “unificação nacional”. Ambos os lados também expressaram preocupação com a “remilitarização acelerada” do Japão.



