Keiko Fujimori: quarta derrota e nova estratégia política no Peru
Keiko Fujimori: quarta derrota e nova estratégia

Pela quarta vez, Keiko Fujimori se lançou candidata à Presidência do Peru e, pela quarta vez, terminou em segundo lugar. Em todas as ocasiões, suas derrotas foram por margem mínima. A conservadora, que terminou o primeiro turno na liderança com 17,17% dos votos, é filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que passou 16 anos na prisão por violações de direitos humanos cometidas durante seu governo. O ex-presidente morreu em 2024, aos 86 anos.

Trajetória de derrotas apertadas

Keiko candidatou-se pela primeira vez em 2011, quando foi derrotada no segundo turno pelo esquerdista Ollanta Humala, obtendo 48,55% dos votos. Nas eleições seguintes, em 2016, chegou ainda mais perto: perdeu com 49,88% dos votos para Pedro Pablo Kuczynski. Cinco anos depois, em 2021, foi derrotada por Pedro Castillo com margem semelhante, 49,87% dos votos. Em todas as campanhas anteriores, buscou se afastar da imagem do pai. Desta vez, porém, deu destaque às políticas públicas adotadas durante o governo dele.

Uma nova Keiko

Aos 51 anos, Keiko Fujimori está na política desde a adolescência. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, foi eleita para o Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano. Assim como boa parte da classe política do país, também passou anos sob investigação por suposto financiamento irregular de campanha, caso arquivado no ano passado. Entre 2018 e 2020, foi mantida duas vezes em prisão preventiva e passou quase um ano e meio na cadeia.

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Na campanha mais recente, Keiko se apresentou como a candidata mais capaz de restaurar a ordem e a estabilidade no Peru. Explorou também o contexto de violência vivido pelo país, marcado pelo aumento dos homicídios e das extorsões. A preocupação dos eleitores com a segurança criou uma espécie de nostalgia do estilo de governo de Alberto Fujimori: na década de 1990, ele derrotou guerrilheiros do grupo Sendero Luminoso com apoio das Forças Armadas. Nessa onda, Keiko prometeu medidas de segurança rígidas, leis antiterroristas mais duras e um papel ampliado para os militares no combate à violência.

O discurso mais duro e o alinhamento a algumas ideias do pai foram vistos como o surgimento de uma "nova Keiko". Ainda assim, o partido fez questão de diferenciá-la de Fujimori, apresentando-a como uma candidata mais democrática que o pai, que deu um autogolpe após ser eleito presidente.

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