Peru: Keiko lidera apuração, mas resultado final segue indefinido
Peru: Keiko lidera, mas resultado final segue indefinido

Duas semanas após o segundo turno presidencial, o Peru ainda não conhece oficialmente seu próximo presidente. Embora Keiko Fujimori apareça à frente na apuração, o processo eleitoral segue cercado por recursos, contestações e votos sob análise das autoridades eleitorais.

Vantagem apertada e votos contestados

Com 99,7% das urnas contabilizadas, a candidata conservadora soma 50,1% dos votos, contra 49,9% do esquerdista Roberto Sánchez. A diferença entre os dois concorrentes é de aproximadamente 40,7 mil votos, segundo o boletim mais recente da apuração.

O resultado, porém, ainda depende da análise de cerca de 100 mil votos contestados. A expectativa predominante entre observadores do processo é que a vantagem de Keiko seja mantida, já que boa parte das impugnações está concentrada em áreas onde a candidata teve desempenho superior.

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Recursos da campanha de Sánchez

Apesar disso, Sánchez se recusa a encerrar a disputa. O candidato anunciou que seu grupo político pedirá a anulação da votação realizada no exterior, um segmento do eleitorado que foi decisivo para ampliar a vantagem da adversária. Segundo ele, houve problemas no processamento dos votos dos peruanos residentes fora do país. O argumento central da campanha é que as atas eleitorais do segundo turno não foram digitalizadas da mesma forma que ocorreu na primeira votação, realizada em abril.

“Você não joga uma partida de futebol e muda as regras no segundo tempo”, afirmou Sánchez ao justificar a nova contestação. O pedido surge depois de os tribunais eleitorais já terem rejeitado recursos que buscavam invalidar votos registrados em Lima e nos Estados Unidos por supostas irregularidades.

Divisão entre eleitorado doméstico e exterior

Os números mostram uma divisão clara entre o eleitorado doméstico e os peruanos que vivem fora do país. Dentro do território peruano, Sánchez mantém uma vantagem estreita, com cerca de 50,1% dos votos. Já entre os eleitores residentes no exterior, Keiko Fujimori alcançou 63,2% dos votos válidos, desempenho que acabou compensando a desvantagem interna.

As acusações da esquerda, no entanto, são rejeitadas pelas autoridades. O Ministério das Relações Exteriores do Peru e os órgãos responsáveis pela condução da eleição afirmam que o processo ocorreu dentro da normalidade. Missões internacionais de observação também não relataram irregularidades capazes de comprometer o resultado.

Keiko confiante e próximos passos

Enquanto a disputa jurídica continua, Keiko adota um discurso de confiança. A candidata, que tenta chegar à Presidência pela quarta vez, afirmou nos últimos dias que os dados da apuração reforçam uma perspectiva favorável para sua vitória e pediu respeito aos votos dos peruanos que vivem fora do país.

O desfecho oficial ainda deve demorar. A Justiça Eleitoral peruana só divulgará o resultado definitivo após a conclusão da análise de todos os recursos e contestações. A expectativa é que a proclamação do vencedor ocorra apenas em julho, poucas semanas antes da posse presidencial marcada para 28 de julho.

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