O presidente do Paraguai, Santiago Peña, comparou a abertura da Ponte da Integração Brasil-Paraguai, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Presidente Franco, ao esforço de reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. A declaração foi feita nesta terça-feira (30) durante a Cúpula do Mercosul, em Assunção, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e demais chefes de Estado do bloco, exceto o argentino Javier Milei.
Comparação com o Estreito de Ormuz
“Acredito que abrir a passagem pela ponte foi ainda mais difícil que abrir o Estreito de Ormuz. Um esforço realmente enorme”, afirmou Peña. O Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é vital para o transporte de petróleo. Após ataques militares em fevereiro, a navegação ficou comprometida, elevando a tensão no mercado de energia. Recentemente, Irã e EUA firmaram um acordo preliminar para reduzir hostilidades e retomar negociações.
A Ponte da Integração
Inaugurada em dezembro de 2024, a ponte funciona parcialmente, com restrições de tráfego – atualmente apenas caminhões podem passar. A estrutura demorou mais de 30 anos para sair do papel. Peña destacou que o sucesso da integração deve ser medido pelo impacto na vida da população: “Precisamos medir o sucesso da integração como a melhora da qualidade de vida das pessoas, do cidadão mais humilde, da família que cruza a fronteira sem perder uma manhã inteira na fila”.
Histórico da obra
As discussões começaram nos anos 1990, mas o projeto ganhou forma em 2005, com acordo internacional que definiu o traçado e atribuiu ao Brasil a responsabilidade técnica e financeira. A construção começou em agosto de 2019, com previsão de conclusão para fevereiro de 2022. A estrutura foi entregue no fim do governo Jair Bolsonaro, mas permaneceu fechada por entraves operacionais, especialmente nas aduanas e rodovias de acesso. Segundo o DER-PR, os atrasos ocorreram sobretudo no lado paraguaio. As obras físicas foram concluídas em outubro de 2023.
Próximos passos
A próxima etapa de abertura está prevista para 3 de agosto, quando serão ampliados os horários para caminhões vazios e ônibus de turismo, além da liberação para ônibus do transporte coletivo. A ponte é a segunda ligação viária entre Brasil e Paraguai na região, mais de 60 anos após a Ponte da Amizade. A expectativa da Itaipu Binacional, agente financiador, é aliviar o tráfego intenso da ponte antiga, que registra circulação diária de cerca de 100 mil pessoas e 45 mil veículos.



