Dois terremotos devastadores atingiram a Venezuela, com magnitudes de 7,2 e 7,5 na Escala Richter, resultando em 164 mortos e 971 feridos, segundo informações oficiais. A tragédia reacende o debate sobre a medição da intensidade sísmica e o papel da Escala Richter, criada em 1935 pelo sismólogo Charles Richter.
Como funciona a Escala Richter
A Escala Richter quantifica a energia liberada por um terremoto com base em dados de sismógrafos. Cada aumento de um grau representa uma amplitude sísmica 10 vezes maior e cerca de 31,6 vezes mais energia liberada. Assim, um terremoto de magnitude 7,5 é significativamente mais potente que um de 6,5.
A escala é logarítmica, o que significa que pequenas diferenças numéricas correspondem a grandes variações de força. Um tremor de magnitude 2,0 é o menor perceptível por humanos, enquanto acima de 7,0 é considerado grande e potencialmente destrutivo.
Limitações e a Escala de Magnitude de Momento
Apesar de amplamente conhecida, a Escala Richter tem limitações. Ela foi desenvolvida para terremotos na Califórnia e não é precisa para todos os tipos de ondas sísmicas ou para tremores muito grandes. Atualmente, sismólogos preferem a Escala de Magnitude de Momento (Mw), que mede o momento sísmico total e é mais precisa para terremotos de grande porte.
“A Escala de Magnitude de Momento é hoje a mais utilizada por especialistas, pois oferece uma medição mais consistente da energia liberada”, explica o geofísico Marcos Oliveira, do Observatório Nacional. No entanto, a mídia ainda usa o termo “Escala Richter” por familiaridade.
Fatores que influenciam a destruição
A magnitude não é o único fator que determina o grau de destruição. A profundidade do epicentro, a distância do epicentro, a geologia local e a qualidade da infraestrutura são cruciais. Terremotos rasos (até 70 km de profundidade) tendem a causar mais danos que os profundos. Na Venezuela, os abalos foram considerados rasos, agravando os estragos.
Além disso, construções precárias aumentam a vulnerabilidade. “Há gente viva e ninguém vem salvar”, disse uma mãe cujo filho está soterrado sob um edifício de 12 andares que desabou, em relato à imprensa local. O governo venezuelano mobilizou equipes de resgate, mas a falta de equipamentos e a infraestrutura danificada dificultam as operações.
Contexto dos terremotos na Venezuela
A Venezuela está localizada em uma região de atividade sísmica moderada, devido ao encontro das placas do Caribe e Sul-Americana. O país já registrou terremotos históricos, como o de 1812, que destruiu Caracas. Os tremores de 2026 estão entre os mais fortes já registrados no país.
As autoridades declararam estado de emergência em várias regiões. Hospitais estão lotados e há relatos de desabamentos em cidades como Cumaná e Barcelona. A ajuda internacional começa a chegar, mas a logística é desafiadora.



