Com uma vitória muito apertada e que corre o risco de ser contestada pelo presidente Gustavo Petro, o ultradireitista Abelardo de la Espriella terá pouca margem de manobra para implementar na Colômbia as reformas radicais prometidas durante a campanha: cortes drásticos nos gastos do Estado, linha-dura no combate a grupos armados e corrupção e o reforço na segurança.
Diferença de 250 mil votos
Diante da diferença de menos de um ponto percentual, que equivale a 250 mil votos, para o candidato do governo, Iván Cepeda, analistas políticos foram unânimes em prever uma transição política difícil, que expôs, como no vizinho Peru, um país polarizado ao extremo.
Se a contagem preliminar se confirmar, De La Espriella terá ação limitada no comando da quarta maior economia da América Latina, e precisará se aliar ao bloco formado por partidos tradicionais de direita e de centro para pôr em prática soluções rápidas descritas no plano de governo “Pátria Milagrosa”.
“O Tigre miou”
“O Tigre miou”, resumiu o pesquisador Carlos Malamud, especialista em América Latina do think tank Real Instituto Elcano, de Madri, em alusão ao apelido do populista de direita.
Advogado e outsider da política tradicional, De la Espriella nunca ocupou um cargo público e enfrentará um Congresso dividido, em que a coligação de Petro detém o maior número de cadeiras, mas sem maioria absoluta. O desempenho de Espriella nas urnas ficou aquém do esperado pela sua base, num sinal de que, assim como Petro, a rejeição a ele é muito grande.
“Não haverá um terceiro turno nas ruas”
Após a contagem preliminar dos votos, o candidato optou pelo clássico lema de que governará para todos os colombianos: “Não haverá um terceiro turno nas ruas.”
Ainda assim, seus aliados no continente se apressaram em festejar a vitória com superlativos enganosos. “Ele ganhou e com folga!”, escreveu o presidente americano, Donald Trump. “O Tigre e o Leão rugem na América Latina”, bradou o argentino Javier Milei, referindo-se a si próprio. O equatoriano Daniel Noboa exaltou a escolha dos colombianos “pela ordem em vez da impunidade”, e o chileno José Antonio Kast comemorou “a nova era de liberdade” na Colômbia.
Pêndulo para a extrema direita
Este alinhamento deslocou o pêndulo do continente para a extrema direita, fomentado mais pela insatisfação popular com a corrupção, pobreza e insegurança, do que por questões ideológicas.



