Ultrapar negocia venda de fatia da Ipiranga à canadense Couche-Tard
Ultrapar negocia fatia da Ipiranga com Couche-Tard

A Ultrapar está em negociações para vender uma fatia da Ipiranga ao grupo canadense Alimentation Couche-Tard, uma das maiores redes globais de postos de gasolina e lojas de conveniência, com mais de 27 mil pontos de venda em 27 países, segundo fontes.

Presença na América do Sul

O grupo canadense ainda não opera na América do Sul, mas tem forte interesse na região. A Ipiranga seria a porta de entrada para o Brasil e demais países sul-americanos. No ano fiscal de 2026, a Couche-Tard registrou receitas totais de US$ 76 bilhões e lucro bruto de US$ 14,5 bilhões. A empresa tem histórico de crescimento via aquisições — a Circle K, uma de suas principais marcas, foi comprada no início dos anos 2000. No ano passado, tentou adquirir a 7-Eleven por mais de US$ 40 bilhões, mas retirou a oferta. “A América Latina e o Sudeste Asiático continuam sendo mercados altamente atraentes para expansão”, afirmou o grupo em seu balanço de 2026.

Peso da Ipiranga no Grupo Ultra

A venda de participação na Ipiranga faz parte da estratégia da Ultra de alocar capital de forma vantajosa sem perder o controle de um ativo relevante. A Ipiranga representa mais da metade do grupo: no primeiro trimestre de 2026, registrou Ebitda ajustado de R$ 1,6 bilhão, contra R$ 2,3 bilhões do Ultra como um todo. Na B3, a Ultrapar vale cerca de R$ 30 bilhões.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Outros interessados

O grupo canadense é assessorado pelo Deutsche Bank e está mais avançado nas conversas, que duram meses e atraíram outros potenciais compradores. No entanto, as negociações ainda não estão em fase decisiva e podem não evoluir. A americana Chevron, que já é sócia da Ultra na Iconic (lubrificantes), avaliou uma fatia minoritária, mas não avançou. A brasileira Vibra também demonstrou interesse em comprar 100% do negócio, mas não se engajou por receio de restrições do Cade. Fontes afirmam que a Ultra não pretende vender 100%. A Saudi Aramco também considerou a compra, mas as conversas não evoluíram.

Desafios do setor

O setor de distribuição de combustíveis no Brasil é atrativo e tem evoluído no combate à ilegalidade, o que melhora a competitividade de empresas como a Ipiranga. Operações como a Carbono Oculto são citadas como exemplo de fiscalização. Ainda assim, há desafios: a área cresce pouco, tem alto nível de informalidade e é alvo do crime organizado. Além disso, o setor é pouco atrativo para novos entrantes por lidar com combustíveis fósseis, o que limita a participação de fundos de private equity. Segundo uma fonte, menos de dez grandes companhias no mundo têm apetite para o negócio de distribuição de combustível no Brasil.

Procurado, o grupo Ultra não comentou e afirmou que “sempre que há informações relevantes, comunica o mercado, conforme regulamentação aplicável”. A Couche-Tard disse que não comenta rumores de mercado. O Deutsche Bank não comentou.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar