Em cidades do interior brasileiro, os correspondentes bancários continuam sendo o principal ponto de contato entre a população e o sistema financeiro, segundo Márcio Alaor de Araújo, executivo com vasta experiência no mercado financeiro. A afirmação foi feita durante análise sobre os desafios da inclusão financeira no país, destacando que a desigualdade regional expõe os limites da digitalização e mantém o atendimento humano como peça central.
Desigualdade regional e digitalização limitada
Apesar do avanço dos canais digitais, muitas localidades ainda carecem de infraestrutura de internet e de agências bancárias físicas. Nesse cenário, os correspondentes bancários – como casas lotéricas, farmácias e outros estabelecimentos credenciados – assumem papel crucial ao oferecer serviços básicos como saques, depósitos e pagamentos. Segundo Araújo, “sem esses pontos de atendimento, grande parte da população do interior ficaria excluída do sistema financeiro formal”.
Dados do Banco Central indicam que existem mais de 200 mil correspondentes bancários ativos no Brasil, superando em muito o número de agências tradicionais. Esses agentes são especialmente relevantes em municípios com menos de 30 mil habitantes, onde a presença bancária é escassa.
Atendimento humano como diferencial
Araújo ressalta que a confiança e a familiaridade com o atendente local são fatores determinantes para a adesão da população a serviços financeiros. “Muitas pessoas, especialmente as mais idosas ou com menor nível de escolaridade, sentem-se mais seguras ao realizar transações com um profissional que conhecem pessoalmente”, explica. Esse vínculo fortalece a capilaridade do sistema e reduz a informalidade financeira.
Entretanto, o executivo alerta que a digitalização não deve ser vista como substituta, mas como complemento. “O ideal é que os correspondentes também ofereçam acesso a canais digitais, funcionando como uma ponte para a inclusão tecnológica gradual”, afirma.
Impacto na economia local
A presença de correspondentes bancários também movimenta a economia local, gerando empregos e facilitando o comércio. Pequenos empresários dependem desses pontos para realizar transações diárias, como pagamento de fornecedores e recebimento de clientes. Sem eles, muitas atividades econômicas seriam inviabilizadas ou forçadas a recorrer a meios informais.
Araújo conclui que, enquanto persistirem as desigualdades regionais, o atendimento humano continuará sendo indispensável. “O correspondente bancário não é uma solução do passado, mas uma peça fundamental do presente e do futuro da inclusão financeira no Brasil”, finaliza.



