O Irã anunciou nesta segunda-feira (22) que o funeral do falecido líder supremo Ali Khamenei começará em Teerã no dia 6 de julho e será concluído com o sepultamento em Mashhad, no nordeste do país, no dia 9 de julho. A informação foi divulgada por Iman Attarzadeh, porta-voz do comitê responsável pela organização da cerimônia de despedida e do enterro de Khamenei.
Cronograma do funeral
Segundo Attarzadeh, o rito fúnebre terá o seguinte calendário: 6 de julho, procissão em Teerã; 7 de julho, procissão em Qom; 8 de julho, procissões nas cidades de Najaf e Karbala, no Iraque; e 9 de julho, procissão e enterro em Mashhad, de volta ao Irã. O governo iraniano alterou a data de início do funeral, que anteriormente havia sido anunciada para 4 de julho, mantendo a data de sepultamento.
Morte e sucessão
Khamenei foi morto em ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, durante a campanha militar para derrubar o governo da República Islâmica. Sua morte marcou o fim de mais de três décadas à frente do país. O clérigo de 86 anos estava no comando havia 36 anos e foi substituído por seu filho, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que ainda não fez aparições públicas e cujo estado de saúde permanece um mistério.
Atraso no sepultamento
A lei islâmica exige que o sepultamento ocorra o mais rápido possível, de preferência dentro de 24 horas após a morte, porém exceções são permitidas, como em tempos de guerra. Caso o cronograma anunciado seja seguido, o corpo de Ali Khamenei será enterrado pouco mais de quatro meses após sua morte.
Trajetória de Khamenei
Ali Khamenei esteve na linha de frente da Revolução Islâmica de 1979 ao lado do aiatolá Ruhollah Khomeini, que se tornou líder supremo até sua morte em 1989. Nascido em 1939 em Mashhad, Khamenei teve sua formação religiosa e política nos anos 60, envolvido em movimentos contra o xá Mohammad Reza Pahlevi. Aproximou-se de Khomeini durante os estudos em Qom e ajudou a organizar o movimento. Em junho de 1981, sofreu um atentado a bomba que paralisou seu braço direito. Quatro meses depois, foi eleito presidente do Irã com 95% dos votos, mantendo-se no cargo até a morte de Khomeini, quando a Assembleia de Peritos o escolheu como novo líder supremo.
Estruturas de poder e império financeiro
Especialistas atribuem a Khamenei a estratégia de construir estruturas paralelas dentro do Estado, como a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC), para controlar melhor as instituições. Ao longo dos anos, ele influenciou cada vez mais a formulação de políticas e fomentou o culto à sua personalidade. Em 2018, uma reportagem da Reuters afirmou que Khamenei controlava um império financeiro de 95 bilhões de dólares, baseado no confisco de propriedades de iranianos comuns. A apuração não encontrou evidências de uso pessoal da fortuna, mas sim para financiar ações políticas. Seu gabinete classificou a reportagem como incorreta.
Repressão e protestos
Nas mais de três décadas no poder, Khamenei enfrentou diversas ondas de protestos, todos reprimidos com violência, enquanto manteve uma política de linha dura em relação a costumes. Seu governo foi acusado de matar opositores exilados e reprimir jornalistas e intelectuais não alinhados ao regime.



